segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Paul II - cap 15


Capítulo 15

Eu e Sally conseguimos um emprego na mesma lanchonete onde eu chamei a Luna de bruxa. Eles pagavam surpreendentemente bem para trabalharmos meio período, mesmo sendo uma lanchonete pequena e não muito famosa.
Alguns meses se passaram, e Sally estava com a barriga cada vez mais inchada, ou seja, cada vez mais difícil de escondê-la dos pais.
Quando ela estava, aproximadamente, com 5 meses de gravidez, ela veio conversar comigo, parecendo estressada.
- Meu pai descobriu - ela disse.
Merda.
- E aí, estamos na rua? Posso arrumar minhas coisas?
Sally sentou na cama e ficou calada.
- Hein, Sally? O que seu pai disse?
Sally olhou para mim.
- Ele não se importou.
- Como assim? Como ele não se importaria?
- Ele não ficou com raiva. Nem feliz. Ele apenas disse para ter certeza que você não fuja.
Pelo jeito, o pai da Sally era mesmo tão ruim quanto o meu, se não pior.
- Ah... - eu disse - Que bom. Digo... Não vamos parar no olho da rua. Não temos mais preocupações.
- Tá doido? Agora sim eu quero sair de casa. Vamos continuar trabalhando. Quero ficar livre de qualquer dependência a meus pais. É bom que ele não tenha me chutado para fora de casa, mas ele ficou totalmente apático à notícia, como se eu não fosse filha dele. Como se eu não fizesse parte da vida dele.
- E sua mãe?
- Ela nem ouviu nossa conversa, e estávamos na frente dela.
Sally olhou pela janela.
- Quanto mais convivo com eles, mais quero matá-los.
- Sinto o mesmo sobre o meu pai - falei - Acho que, se eu não tivesse fugido e ficasse morando sozinho com ele, um de nós dois morreria.
- Pelo menos você tinha sua mãe.
Tinha. Admito que essa palavra doeu um pouco em mim.
Sally deitou-se.
- Mais uma coisa... Resolvi morar aqui com você por enquanto. Não quero ver a cara daqueles dois - ela sorriu para mim - Vai gostar da minha companhia?
- Argh, que saco.
Nós dois rimos, e começamos a fazer planos para o futuro.
Planos que, é claro, não poderiam acontecer.

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