segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Paul II - cap. 13


Capítulo 13

As férias acabaram, para meu desprazer. Mesmo assim, eu e Sally não deixamos de sair na rua à noite para beber, escutar música e passar o tempo.
Certo sábado, resolvemos passear a pé pela cidade, por cantos para nós desconhecidos. Em uma rua mal iluminada e suja, ouvimos risos.
Um grupo de caras esquisitos estava encostado na parede, nos encarando. Um deles assobiou para Sally.
- Ei, bonitinha. Vem cá se divertir com a gente - ele disse.
- Você é cego? - Sally perguntou - Meu homem está aqui comigo.
- Ah, sim, eu vi...
Eles andaram até a Sally. Se me lembro bem, eram uns cinco caras. Um deles agarrou-a pela cintura. Sally lhe deu um murro no nariz, que logo começou a sangrar.
- Vadia... - ele disse, e encostou uma faca na a garganta de Sally.
Sally colocou a mão no bolso e puxou o canivete.
- Opa - disse o cara, pressionando a faca contra a pele dela - Nada de truquezinhos... Larga isso aí, se quiser viver...
Sally soltou o canivete, que caiu no chão, emitindo um som metálico que ressoou pela rua silenciosa.
- Agora... Faça o que a gente quiser... E não se preocupe, seu namoradinho não pode fazer nada para nos deter...
Enquanto eu observava a cena, um ódio subia pelo meu corpo, tomando completamente meu cérebro e mexendo com meus sentidos. Foi o mesmo que eu havia sentido a oito anos antes, no episódio do mendigo cujo crânio coletei. Minhas mãos tremiam, meus olhos só focavam nos cinco caras que ameaçavam Sally. Eles eram podres.
Avancei sobre eles como um animal. Primeiro, no rapaz que segurava a faca. Arranquei o braço que segurava a arma com minhas próprias mãos, e, me apossando da lâmina, o esfaqueei quinze vezes no peito. Joguei o corpo na parede, e, rápido como uma flecha, lancei a faca contra ele, prendendo-o à parede pelo pescoço.
Virei-me vagarosamente para os outros caras, que estavam paralisados. Corri até eles, e eles começaram a correr de mim. Mas não rápido o suficiente. Derrubei dois deles no chão, e pisei em suas cabeças até estourar o crânio de cada um.
Arfando, olhei em volta. Percebi Sally, que me encarava, horrorizada.
- Onde estão os outros dois? - perguntei.
- Fugiram. Deixe eles pra lá - disse Sally.
Olhei para mim mesmo. Estava banhado em sangue. Minha calça nova já era.
- Paul... - Sally disse - Você... Estava assustador. Eu até tive medo de que avançasse em mim. Eu... Não conseguia ver seus olhos, eram uma máscara negra. Havia só um brilho... Demoníaco.
Respirei fundo. Devia ter sido horrível, se até Sally ficou amedrontada. Olhei de novo para ela, esperando que ela tivesse passado a me odiar.
Mas ela sorria. Como se acabasse de descobrir a cura da AIDS.
- Você... É uma arma viva - ela disse - A mais perigosa arma viva. Fascinante...
E ela riu.
- Imagino que tipo de monstrinho será o nosso filho...
- Eu sei que sou um monstro - falei - E você, está bem?
- Estou ótima. Obrigada por me salvar daqueles canalhas. Melhor a gente ir pra casa.
Olhei para o corpo na parede. Os dedos dele ainda mexiam em convulsão. Digo, os dedos da mão que ele ainda tinha.
- É, acho que hoje exagerei. Vamos embora.
Antes de poder ir para o hotel, no entanto, Sally comprou algumas roupas para mim em uma loja que, por sorte, ainda estava aberta. Lavei o rosto e as mãos numa fonte, e joguei minhas roupas numa lata de lixo. Depois disso, pude ir dormir.

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