domingo, 7 de outubro de 2012

Paul II - cap. 10


Finalmente, depois de muitos anos, continuei a escrever Paul. Desculpe a demora, e espero que gostem.

Capítulo 10

Luna deve ter se revirado em sua cova, enquanto nos revirávamos sobre sua cova. Tenho sorte que zumbis não existem, ou eu poderia acabar tendo meu pescoço agarrado por mãos de cadáver em decomposição.
Deviam ser cinco horas da manhã quando eu e Sally, nus e abraçados, observávamos a aurora.
- Sally - chamei.
- O quê?
- Você já fez isso antes, não fez?
- Bem... Sim, por quê?
- Nada... É que pensei que teria sangue.
- Está decepcionado?
- Cala a boca.
Ficamos um tempo calados.
- Ei, Paul - chamou Sally. Respondi com um "uhum?" - Qual é seu maior sonho?
- Não sei... Acho que nunca tive sonhos de vida assim.
- Hm... Sabe qual é o meu?
- Pode falar.
Sally estendeu a mão para o céu, com um olhar distante. Apontou a lua, que ainda estava visível.
- Eu queria ir para a lua... Ou qualquer planeta inabitado... Levar todas as pessoas que gosto e admiro... E formar um novo mundo.
- Você sonha alto demais.
- É, eu sei...
Ela abaixou a mão e suspirou. Eu nunca a vi tão vulnerável daquele jeito. Não a reconheci.
- Sabe, Paul... Um dia, perguntei para o meu ex-namorado o que ele gostava em mim.
- E o que ele disse?
- Que me acha bonita.
Silêncio.
- Só? - perguntei.
- É... acho que ele nunca me amou.
Mais silêncio.
- Sabe... De vez em quando, eu queria ter sentimentos como todo mundo. - ela disse.
- Sério? Pensei que fosse feliz assim.
- É... - ela sorriu para mim. - Tem razão. Acho que sou...
- Ei, melhor a gente ir embora. Alguém pode passar aqui.
- Vamos...
Vestimo-nos, catamos nossas coisas e voltamos para casa.

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