domingo, 7 de outubro de 2012

Paul II - cap. 11


Capítulo 11

Nossa relação mudou um pouco desde então. Agora nossos encontros não se restringiam apenas à piscina e ao cemitério. Começamos a nos encontrar muito no meu quarto de hotel.
Certo dia, também, Sally resolveu me apresentar a seus pais. Ela disse que eles tinham insistido muito nisso, então eu fui.
Quando cheguei à casa dela, vi apenas a empregada servindo a mesa.
- Cadê seus pais? - perguntei.
- Ah... Mas que droga, acabei de chamá-los.
Ela sumiu dentro do corredor que dava para os quartos. Voltou um pouco depois, com um casal bem mais velho do que meus pais eram. Uma mulher com um olhar sério e um homem de expressão rabugenta.
Sentaram-se à mesa e olharam para mim.
- Paul, não é? - perguntou o senhor.
- Sim, sou eu.
- Seu amigo parece esquisito, Sally - disse ele, servindo-se.
- Ele não é só meu amigo, eu já disse... E você, mãe? Não vai cumprimentá-lo?
- Hmmm...? - a mãe de Sally levantou os olhos do tablet no qual estava mexendo - Ah... Boa noite, Pablo.
- É Paul - corrigi.
- Foi isso que eu disse, Pablo. - e voltou a olhar para o tablet.
Ela não estava prestando atenção. Fiquei tão nervoso que entortei o garfo que estava segurando sem nem perceber.
Seguiu-se completo silêncio. Eu olhava para meu prato, com preguiça de me servir. Sally já havia se servido, mas encarava seus pais, ansiosa, sem tocar na comida. Seu pai estava comendo como um porco, e sua mãe comia uma garfada de comida a cada três minutos que mexia no tablet.
- Então... - Sally pigarreou - Não querem conversar com ele sobre nada?
- Fique quieta e coma, Sally. - disse o pai - Sabe que não gosto que interrompam meu jantar com conversa.
Sally olhou para seu prato e começou a comer. Eu resolvi finalmente me servir e fazer o mesmo.
O pai dela terminou a refeição e simplesmente saiu da mesa e foi para o quarto. A mãe continuou lá, mexendo no tablet, mesmo depois de terminar de comer.
- Que bom que tem amigos novos, Sally... - disse ela - O Pablo parece ser um bom garoto.
Sally parecia estressada.
- Acho que vou pra casa - eu disse. Não aguentava aquele clima mais. O ambiente naquela casa era quase pior do que o da minha. Digo, quando eu morava lá.
Dei um beijo no rosto de Sally e voltei a pé para o hotel.

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