domingo, 17 de junho de 2012 0 comentários

Prólogo da história da Kathleen

...Tem anos que eu não posto. O Blogger mudou totalmente.
Então gente, tenho essa personagem, Kathleen. Sabe, aquela de quem eu fiz um conto de sangue especial do dia dos namorados.
Estou tentando pela duzentésima vez fazer a história dela direitinho, mas é difícil pra caramba. Tenho mil cenas dela que posso usar na minha cabeça, mas não dá pra usar todas e escolher é difícil. A primeira coisa que resolvi escolher, então, foi o final "feliz" da história. E ele será imediatamente apresentado como o prólogo do troço todo.
Espero que vocês gostem...


Prólogo

Kathleen se remexeu mais uma vez debaixo das cobertas. Já vinha se remexendo daquele jeito pelas últimas dez, vinte, trinta noites. Porque, a cada dia que passava, se sentia mais morta. E não estava em paz. Como não estava em paz, se estava morrendo aos poucos? Kathleen se sentia um defunto revirando no caixão.
Decidiu se levantar, bem silenciosamente, para seu “mestre” não acordar. Pois já imaginava perfeitamente como ele reagiria se tivesse seu sonho interrompido. Mas, afinal, que diferença faria? Encarou os cobertores, onde ele se escondia.
- Bom dia, majestade – sussurrou baixinho, e plantou um beijo trêmulo na testa de seu marido.
Kathleen andou, então, para o banheiro. Acendeu a luz e se admirou no espelho. Os cabelos despenteados, a pele pálida, os olhos rodeados por dois profundos sulcos negros. Não era mais a mesma. Havia tempos não tinha ânimo para se tratar. Passou os dedos nas cicatrizes que ainda guardava, quase que com adoração.
- Hoje vai ser um dia importante – falou consigo mesma – Não concorda, Kath? Sempre esteja apresentável para dias como esse.
Dizendo isso, Kathleen pegou seu estojo de maquiagens, e, pela primeira vez em meses, deu um belo trato no visual. Escondeu suas cicatrizes e olheiras. Reviveu a cor de suas bochechas e o rubro de seus lábios. Espessou seus cílios, e cuidadosamente escovou os cabelos. Abriu o armarinho do banheiro e pegou uma garrafa de álcool. Então começou a cantar:
“Nesta rua, nesta rua tem um bosque
Que se chama, que se chama solidão.
Dentro dele, dentro dele mora um anjo
Que roubou, que roubou meu coração.”
Dirigiu-se, quase que automaticamente, para a cozinha. Já planejava aquilo em segredo durante suas noites sem sono. Fizera aquilo tantas vezes em sua mente, que tudo foi como rotina.
Abriu a gaveta e vasculhou entre os talheres de prata. Não encontrou o que procurava. Vasculhou a gaveta de baixo, e lá estavam os fósforos.
Ainda cantando, foi até a biblioteca. O ambiente calmo e o cheiro de livros lhe traziam lembranças de dias mais serenos. Pegou seus livros preferidos e voltou com eles para o quarto.
Repetira aquela música diversas vezes, mas ainda a cantava como um disco travado. Sentou-se, silenciosamente, ao lado de seu amor, que ainda dormia.
Fria e vagarosamente, rasgou cada página de cada livro, sem nunca parar de cantar. Arrumou-os delicadamente num montinho sobre os pés de seu marido e sobre seus próprios pés também.
Pegou a garrafa de álcool e abriu-a. Despejou todo o conteúdo sobre os papéis, e sua voz começou a ficar fraca enquanto lágrimas embaçavam sua visão.
Com muita dificuldade, conseguiu riscar um fósforo com os dedos trêmulos, e encarou o fogo até que quase lhe tocasse a ponta dos dedos. Então parou de cantar.
- Boa noite, querido.
E o fósforo caiu sobre a pilha de papéis encharcados com álcool.

Então, gente, por enquanto é só isso. Vou colocar aqui alguns rascunhos, maioria falhos, de como seria a Kathleen: 


Claro, esses são rascunhos de Kathleens em dias mais felizes.

Beijos,
Bela
 
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