segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Paul II - Capítulo 5

Capítulo 5

    Quando cheguei no ponto de encontro em frente à lanchonete, Sally já estava lá.
    - Ei, Sally.
    - Oi.
    - Para onde vamos?
    - Vamos andando para algum bairro mais vazio.
    Dizendo isso, ela se virou e seguiu em frente. Fui atrás dela.
    Chegamos em uma pequena rua silenciosa. Sally entrou em um beco. Segui-a e nos sentamos atrás de uma lata de lixo. Com certeza não era o lugar mais agradável para o encontro, então risquei minhas suspeitas.
    - Veja – disse ela, abrindo a bolsa e puxando algo.
    Era um revólver. Era prateado com a parte que se segura preta. Brilhava à luz da lâmpada fraca na parede, e parecia ser novo. Eu o peguei.
    - Que legal – falei.
    - Bem... Legal não é. Roubei de uma loja ilegal.
    Apontei a arma para o meu nariz e a encarei.
    - Está carregada? - perguntei.
    - Sim.
    Como para demonstrar, Sally tomou a arma e disparou na lâmpada, que estourou. Começamos a rir. Ouvimos um fungado.
    - O que foi isso? - perguntei.
    - Deve ser um gato – disse Sally, pegando uma garrafa caída no chão e jogando-a na origem do ruído.
    Houve um gemido, e, do saco que parecia conter lixo, saiu uma cabeça despenteada de um garoto, de no máximo 15 anos, visível à luz da lua. Ele nos encarou assustado. Sem hesitar, Sally deu um tiro certeiro em sua testa. O garoto caiu de cara no chão.
    - Por que fez isso? - perguntei.
    - Queria que ele nos denunciasse?
    Observei enquanto um halo de sangue se formava em volta da cabeça do menino.
    - O que fazemos com esse corpo? - perguntei.
    - Ah, deixa ele aí. Ninguém vai sentir falta.
    Sally guardou a arma. A encarei, e ela parecia impassível. Uma psicopata. Me perguntei se as pessoas me viam assim também, sem expressões e sentimentos. Luna era a única que havia visto algo dentro de mim, mas com certeza não pensava isso agora, onde quer que esteja. Sempre me achei parecido com Sally, nossos pensamentos e modo de agir.
    Mas me enganei. Ela era mais cruel.
    Ah, bem.
    - Vamos embora o mais rápido possível – ela disse, e eu concordei. Alguém devia ter escutado os tiros e iria se levantar para ir ver – Além disso, vou receber visitas em casa. Até mais, Paul.
    - Tchau – saí do beco e corri até o hotel.

1 comentários:

Sara Neves disse...

que saudade eu estava daqui !
aaaaah e quando eu venho sempre me surpreendo com esses contos belissimos ! beijos


www.thebestyptt.blogspot.com

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