sexta-feira, 10 de junho de 2011

Paul II - Capítulo 2

Capítulo 2

   Passaram-se as aulas e passaram-se as férias. Como sempre, as entediantes férias de verão, nas quais fiquei fazendo absolutamente nada. Não vi Sally, pois ela havia viajado com os pais para a Escócia. Aos domingos, eu passava no cemitério para ver o túmulo de Luna e de minha mãe.
   Voltaram as aulas então, e fui para minha escola de sempre, ouvir a conversa pobre e vazia de meus colegas e aprender coisas que nunca iria usar. Seria meu último ano de escola. Estava saindo mais tarde porque repeti o ano.
   Entrei em minha sala barulhenta, sem esperar nada de novo.
   Olhei para o meu canto do fundo de costume. No lugar onde se setaria Luna, na minha frente, estava uma ruiva de olhar selvagem.
   Sally.
   Sentei-me atrás dela.
   - O que está fazendo aqui? - perguntei.
   - Vim te acompanhar no tédio mortal – respondeu.
   Sorrimos um para o outro. Sally era um ano mais nova que eu. Desde a excursão para o museu de artes, no ano anterior, viramos grandes amigos.
   Olhei-a de cima a baixo. Sua saia parecia curta demais nela. Desviei o olhar para seus cabelos. Estavam, como sempre, espessos e rebeldes.
   Ela me olhava também.
   - Por que arrumou o cabelo? - perguntou ela.
   - Meu pai manda – respondi.
   - Não mora mais com ele, Paul.
   Dizendo isso, passou a mão nos meus cabelos. Senti a sensação de liberdade dos cabelos desarrumados. Nunca havia ido à escola com meus cabelos do jeito que são.
   Olhei em volta.
   - E o seu namorado?
   Ela suspirou.
   - Nós meio que terminamos.
   - Por quê?
   - Ele... descobriu meus probleminhas. Você sabe como ele é medroso.
   Os probleminhas de Sally... Eu era o único que os conhecia. Sally era, além de meio rebelde, psicopata.
   - E o que você fez? - perguntei.
   - Fiz ele jurar que não contaria em troca de sua vida.
   Dei uma risada. Sentia-me quase embriagado estando com o cabelo desarrumado, depois de tantos anos com o peso do gel na cabeça. Poderia dizer que estava feliz. Além disso, conversar com Sally me deixava alegre. Com ela eu podia ser quem sou, pois sabia que se eu tentasse matá-la ela saberia se defender, ao contrário das outras pessoas.
   Me sentei de lado e olhei para os outros. Muitos me olhavam, principalmente as garotas, que coravam e desviavam o olhar quando eu olhava de volta.
   - Por que elas estão me olhando? - perguntei para Sally.
   - Você fica muito mais bonito com o cabelo assim, Paul. - Ela passou a mão na minha franja de novo - Talvez arranje bastantes namoradas esse ano.
   - Não estou interessado nisso.
   - Por que não?
   - Tenho medo de fazer o mesmo que fiz com Luna – respondi baixinho.
   - E daí se fizer? Quem se importa com essas babacas?
   - Os amigos e a família, talvez?
   Ela arfou.
   - Precisa se soltar mais. É melhor, você vai ver.
   Olhei pra sala. Podia ouvir o cochicho dos meus colegas. “Quem é aquela?”, “O Paul tem uma namorada nova?”, “A outra não acabou de morrer?”, “Nunca percebi que ele era tão gato!”, e outras coisas perturbadoras.
   - Ei, Paul.
   Voltei minha atenção para Sally.
   - Quer ir comigo ao baile de verão?
   Pisquei.
   - É só daqui a cinco meses! - exclamei.
   - Provavelmente não vou ter outro possível parceiro, e os abutres estão rondando você, então estou me adiantando.
   Olhei para ela e para as outras garotas. Sally não era feia, mas não se arrumava como as outras. Provavelmente não teria par.
   - Mas eu odeio festas – reclamei.
   - Ah, vamos! Nos divertimos do nosso jeito.
   - Tudo bem... Vou com você. Como amigos, certo?
   - Como amigos – concordou ela e sorriu.

2 comentários:

Anônimo disse...

Legal ... acho que esses dois ainda vai da muita merda ! -.-'

Daniel ! hueuheuhe

Lúcio Neto disse...

ta na hora de sair o 3, não?

Postar um comentário

 
;