segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Paul cap 14

 Capítulo 14

Sem aquela garota que eu matei para nos chatear, quase ninguém veio dizer que estávamos namorando. A amiga da Luna disse estar feliz por eu ter voltado a conversar com ela.
Eu também estava feliz, em parte. Mas, ao mesmo tempo, me preocupava com ela. Eu sou perigoso. E eu sabia que quanto mais próximo eu ficasse dela, mais eu iria querer arrancar as tripas dela fora. Mas, estranhamente, ela não parecia querer arrancar as minhas.
Luna me chamou para ir ao cinema, ver um filme idiota chamado “Um romance sem palavras” ou algo assim. Só para agradar, aceitei o convite.
Lá para as seis da tarde, passei na casa da Luna e a busquei para o cinema. Já que não era longe, fomos a pé.
Chegando lá, havia uma fila gigante para comprar as entradas para aquela porcaria de filme. Entramos na fila, mas logo anunciaram que os ingressos acabaram. Resolvemos assistir outro.
Luna sugeriu que podíamos ver um filme infantil. Eu podia até ver uma chatice romântica, mas aquilo era demais para mim.
- Ah, Paullie, vamos... Eu queria tanto passar um tempo com você fazendo alguma coisa legal.
- Ver “A Terra Cor-de-rosa dos Coelhos” não é coisa legal para mim. Se quer ver algum filme comigo, só se for aquele.
Apontei o cartaz do filme “A ladra de vozes”, um filme de terror pesado que diziam ser bom.
- M... mas... – disse Luna – vou ficar com medo.
- É só um filme, Luna. Além do mais, vou estar do seu lado durante todo o tempo.
Ela sorriu:
- Está bem. Com você, me sinto protegida.
Claro, ela não podia imaginar que não tinha jeito de ela ficar tão desprotegida quanto junto de mim. Mas eu relevei isso e disse:
- Claro, Luna. Vou te proteger.
Ela pegou meu braço e compramos o ingresso. Depois fomos para a sala.
Não havia nenhum outro casal apaixonado naquela sala, apenas um. Resolvi me sentar perto deles, pois os outros eram aquelas grandes turmas de amigos que falam alto e jogam pipoca nos outros.
Olhei para o casal. O garoto tremia antes mesmo que o filme começasse. A garota parecia comigo. Não a aparência, mas o jeito como ela agia e olhava em volta, desanimada e com um leve brilho psicótico nos olhos.
Ela me olhou e deu um sorrisinho. Eu dei outro. Luna tremia assim como o namorado daquela garota. Sentei-me do lado dela.
- Olá – ela disse.
- Oi.
Olhamo-nos por um instante.
- Já matou alguém? – perguntei baixinho.
- Que pergunta. Já!
E ela pôs a mão no bolso, puxando diretamente uma lâmina que reluziu à fraca luz do cinema. Um canivete.
- Eu não costumo andar armado – falei – Prefiro usar minha própria força.
Ela sorriu:
- Sally.
- Paul. Prazer.
- O prazer é meu.
Apertei a mão dela rapidamente. O filme começou. Luna se agarrou a mim.
O filme era sobre uma mulher que sonhava em ser cantora, mas era muda. Com ódio, ela começou a perseguir grandes cantores e matá-los, colecionando suas cordas vocais.
Luna tremeu e fechou os olhos durante praticamente o filme inteiro. Na parte em que a mulher muda enfiou uma sombrinha na goela de uma cantora, na parte em que a muda tirou o cérebro de um cara pelo nariz, e até mesmo na parte em que a muda transpassou uma cantora mais velha com uma perna de cadeira. Já Sally não. Como eu, ela gargalhava e seus olhos brilhavam enquanto ela assistia. Seu namorado tinha desmaiado.
Por fim, o filme acabou e saímos. Sally acenou para mim antes de levar o namorado no colo para a enfermaria. Eu olhei o rosto aterrorizado de Luna.
- O que achou do filme? – ela perguntou.
- Levinho – respondi – Realmente, hoje em dia as pessoas não fazem filmes de terror de verdade. Aquele sangue é bem tosco. E você, Luna? O que achou?
- Medonho – ela disse – vou ter pesadelos.
Eu ri.
Quando estávamos na porta da casa dela, ela se virou para mim e disse:
- Paullie, tenho que fazer uma coisa para ter certeza que vou conseguir dormir hoje.
- O quê?
Foi muito rápido. De repente, ela segurava meu rosto entre as mãos e me beijava. Eu fiquei calado, e não tentei empurrá-la. Eu não quis magoá-la. Certo, gostei um pouco. É, tudo bem, gostei muito. Mas me arrependi depois. Era melhor ela ficar magoada do que acabar perdendo a vida.
Ela me soltou, acenou e entrou em casa. Eu fiquei encarando a porta por 10 minutos, chocado. Depois, sorri e fui para casa.

4 comentários:

Anônimo disse...

terra-cor-de-rosa dos coelhos ou algo do tipo .-.
FODA hsuaushuasahsahsa
lol eles flam sobre morte como se fosse algo normal >.<

MaNa disse...

Quando chega o 15??? Quero lerrrrrr!
Entra no meu blog qualquer hora dessa.

Sílvia disse...

Nossa, Bela, o Paul é o cara mais louco do mundo e também covarde. Não conta pra namorada o risco que ela corre, porque ele quer matá-la assim como gosta de matar pessoas indefesas.
Que horror!

Lúcio Neto disse...

GENTEEEE QUE LOCURA. EU QUERO QUE O PAUL MATE A LUNA E NAMORE A SALLY!! A SALLY É DEMAISSSS, ELES SAO LINDOSS JUNTOSS, FORAM FEITOS UM PRO OUTRO

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