sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Paul cap 13

 Capítulo 13

Como não havia porão na minha nova casa, deixei o baú com ossos no fundo do meu armário, embaixo de uma pilha de roupas que o camuflava perfeitamente. Minha mãe jogou os vidrinhos com olhos e tripas fora porque fediam demais.
Aquele quarto não combinava comigo.
Foi difícil conseguir dormir de noite sem ouvir o diabrete batendo na gaveta. Estava tudo silencioso. Nem mesmo a madeira rangia. Eu podia até mesmo ouvir a respiração de meus pais dormindo. Dormi mais tarde que o normal, às quatro da manhã.
Acordei no dia seguinte me arrastando, morrendo de sono. Olhei-me no espelho enorme do banheiro. Minhas olheiras estavam ainda maiores que o normal. Meu cabelo estava desarrumado do jeito que eu gosto que ele fique. Mas meu pai odiava, então o arrumei como sempre.
Desci para a cozinha. Minha mãe havia preparado um café da manhã suntuoso, e saltitava de alegria. Eu a observei, infeliz. Ela merecia uma família melhor. Um marido que tolerasse seus pequenos desastres. Um filho que gostasse de seus agrados e carinhos. Que a tratasse como gente.
Mas não posso fazer nada se ela escolheu meu pai.
Sentei-me à mesa e tomei um copo de suco e alguns biscoitos de água-e-sal. Ela se sentou ao meu lado, feliz por eu estar com ela para tomar café. Deu um beijinho na minha bochecha. Eu dei uns tapinhas amigáveis nas suas costas, terminei meu suco e saí. Meu pai já tinha ido ao trabalho.
Na porta de casa, encontrei Luna.
- Indo para a escola? – ela perguntou.
Afirmei com a cabeça.
- Vou com você – ela disse, e pegou minha mão. Eu a empurrei – Você não vai fugir de mim, Paullie. Por mais que me ache uma bruxa, sei que você gosta de mim.
Ela abraçou meu braço, acariciando meu ombro. Então, encostou acabeça nele e segurou minha cintura.
“Cai fora”, eu queria dizer. Em vez disso, o encanto dela me fez dizer:
- Sim, Luna. Eu gosto de você. Estou apaixonado por você, Luna.
Ela sorriu:
- Eu sabia.
Depois, ela me puxou pelo colarinho e olhou nos meus olhos.
- Pode me beijar agora? – perguntou.
Eu quase cedi. Mas a empurrei gentilmente.
- Não – respondi, me virando e continuando em direção à escola.
- Por quê? – ela perguntou, correndo atrás de mim.
Realmente. Por quê? Eu tinha 17 anos e nunca havia beijado uma garota, sendo que já tive a chance várias vezes. Isso não faria sentido para ninguém.
Mas para mim fazia. Eu sou perigoso.
Senti o pequeno peso no meu bolso sumir. Luna havia surrupiado o meu caderno de poesias.
- Posso ler? – perguntou.
“Tire as mãos disso!”, eu quis gritar.
- Claro – falei.
Luna abriu o caderno e começou a ler.
- São lindas – disse ela. Ela sorriu – E este aqui? “O coração de Luna”. É sobre mim?
- Não! Não leia! – gritei, e tomei o caderno cinza das mãos dela, guardando-o de volta.
Luna sorriu.
- Está com vergonha?
- Não é vergonha. É que...
- Claro, claro, entendi.
Eu sorri e envolvi os ombros dela com o braço. Fomos os dois juntos para a escola.

5 comentários:

Sara Neves disse...

oi parceira, vim pedir pra vc trocar meu banner que eu mudei ok?
beijos ;*

Sílvia disse...

Bela, a história continua super legal.
O problema do Paul começa com o pai. Ele odeia o pai, transferindo esse ódio para as pessoas e para si mesmo.
O final do Paul não será feliz. Coitado!!!

Sara Neves disse...

Ta ok ammr, pode deixar esse mesmo entãão
beijos ;*

Lúcio Neto disse...

aaaaaaaaaahhh que românticooooo

Anônimo disse...

Ma que merda, pq ele n mata ela de uma vez?!!!!

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