quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Paul cap 12

 Capítulo 12

Lá para as 4 da tarde, a casa estava vazia. Não levamos nenhum móvel, pois a casa nova já era mobiliada. Simplesmente entramos no carro do meu pai e partimos ao nosso novo lar. Observei minha casa, agora com uma placa de vende-se no gramado, até que ela sumisse de vista.
Meu pai parou o carro. Desci e olhei a casa à minha frente.
- Gostou, Paul? – perguntou minha mãe.
A casa era gigante, com as paredes amarelo-escuras, um gramado verdejante, com arbustos bem cuidados e floridos. Havia grandes janelas. A casa refulgia ao sol. Meus olhos ardiam de tão maravilhosa.
- Odiei – respondi.
Não, eu não estava fazendo birra. Aquela casa não fazia meu estilo. Arrumadinha e feliz demais.
Entrei na casa. Era espaçosa, arejada e bem iluminada. Tinha dois andares como a outra, mas seus móveis eram confortáveis e modernos, ao contrário da minha casa antiga. Toda aquela luz e conforto me deixavam enojado. Subi a escada espiralada. Havia um quarto de casal e dois de solteiro. Na porta do menor tinha uma placa onde estava escrito “Hóspedes”. Deduzi que o maior era meu e entrei.
Tive que fechar os olhos com a luz cegante da janela do meu quarto. Parecia que eu estava na mira de um holofote. Sentei-me na minha nova cama. O colchão era macio e a roupa de cama estava novinha em folha. Havia até mesmo um travesseiro ainda dentro da embalagem. O armário era grande, o dobro do espaço que minhas poucas roupas ocupavam. Procurei pelas gavetas. Todas vazias e limpas. Nada de diabretes.
Suspirei. No meu novo quarto havia também uma mesinha de cabeceira e uma escrivaninha. Do lado desta havia uma porta. Eu a abri. Era um banheiro. Havia uma banheira, uma pia e um vaso sanitário. E um enorme espelho.
Era tudo perfeito. Do jeito que eu detesto.
Resmunguei e desci para o jardim. Eu precisava pegar minhas coisas e colocar no quarto.
Abri o porta-malas e peguei duas malas. Mas quando fechei o porta-malas, vi algo que me fez odiar ainda mais minha nova casa.
Na casa da vizinha, a porta se abriu. E, de dentro dela, saíram duas mulheres. Uma era alta, de cabelos negros em rabo-de-cavalo, olhos de gato marrom-avermelhados, boca grossa e expressão simpática. Parecia ter uns 32 anos. A outra eu conhecia bem.
- Luna? – perguntei a mim mesmo. Ela pareceu me ver também.
Luna sorriu e correu até mim.
- Paul! – ela gritou – você se mudou para cá? Que ótimo!
Eu lancei meu melhor olhar gélido, mas ela pareceu não se importar.
- Aquela é a minha mãe – Luna disse, apontando a outra mulher.
- Nova, não? – eu perguntei, e quase me bati por ter dito alguma coisa com aquela bruxa.
- Sim. Ela engravidou quando tinha 15 anos. Meu pai não quis se casar com ela, mas ela se casou com outro mais tarde. Mesmo assim, meu pai me visita e me dá presentes de vez em quando. Tenho mais dois irmãos, um adotado de 15 anos e um filho do meu padrasto, que ainda é bebê.
Ela continuou a tagarelar sobre um monte de coisas. Eu suspirei, virei de costas e levei minhas malas pro meu quarto, deixando-a falar sozinha.

2 comentários:

Sílvia disse...

O Paul é radicalmente do contra. E muito infeliz.
Ainda dá tempo de fazer uma terapia, uma análise.
Autora, faça alguma coisa para ajudar seu personagem.

Lúcio Neto disse...

Nãoooo Sílviaaa, que ideia louca essa sua. Toda essa loucura do Paul que faz a história ser tão emocionante
VOTO PARA O PAUL CONTINUAR LOUCO, ATÉ QUE ELE MORRA DE TANTA LOUCURA NO FINAL UHULLL

Postar um comentário

 
;