sábado, 25 de dezembro de 2010 5 comentários

Feliz Natal

Apenas desejando um feliz Natal para todos!


Imagem: Mangá & Anime
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010 9 comentários

Paul cap 15

Capítulo 15

Na semana seguinte, o colégio resolveu nos levar em excursão a uma exposição de arte. Eu achava pinturas, desenhos e artes plásticas em geral uma chatice, mas minha mãe insistiu que eu fosse porque não custava nada.
Não custava nada mesmo. A excursão era de graça.
Por isso eu fui. Relutantemente, mas fui.
No ônibus, um professor avisou que alguns alunos de outro colégio estariam na exposição conosco.
Descemos do ônibus e lá estavam os alunos do outro colégio, descendo do ônibus deles.
- Será que eles são legais? – perguntou Luna.
Eu encarei aquela turma. Normais. Então, saiu uma garota de cabeça baixa e olhar impassível, atrás de um garoto comum. A garota olhou para mim e sorriu. Era Sally.
Eu acenei para ela e ela andou na minha direção.
- Como vai você, Paul?
- Vou bem. E você?
Era difícil me ouvirem dizer que vou bem. Mas eu realmente estava feliz.
- Também estou bem – disse Sally.
- Quem é ela? – perguntou Luna, com uma pitada de ciúmes na voz.
- É a garota que eu conheci no cinema, Sally. Sally, esta é minha namorada Luna.
- É – Sally disse – Eu vi ela tremendo no cinema.
Ela riu. Eu ri também. Luna fez um biquinho.
- Sou medrosa sim, e daí?
- Eu sei, Luna. É normal. Mas é engraçado – falei.
- Sim – disse Sally – Afinal, é só um filme. Há pessoas muito mais monstruosas na vida real.
Eu e Sally trocamos um olhar de cumplicidade. Sorrimos diabolicamente. Luna não percebeu. Ela estava olhando a fila de alunos que entravam na exposição.
- Precisamos entrar – disse ela.
Eu acenei para Sally e segui a fila com Luna.
- Não gostei da sua amiguinha – disse Luna.
- Nós temos muitos gostos em comum – falei – Se você gosta de mim, devia gostar dela também. Somos muito parecidos.
Luna não respondeu.
A exposição era bem chata. Não tinha quase nada interessante. Havia uma escultura de uma pessoa plantando bananeira com um grande olho na barriga. Havia também a pintura de uma mulher de vestido longo e rosa-berrante. E várias coisas parecidas.
Duas horas depois, fomos encaminhados a uma lanchonete. Maioria dos lanches eram doces. Sally apareceu do meu lado.
- Você gosta de doces? – perguntou.
Eu mostrei a língua. Ela sorriu.
- Eu também detesto. Enjoam, não?
Eu pedi um cachorro-quente. Sally pediu uma empada. Sentei-me onde Luna estava, comendo um pudim.
- E então, Paul – começou Luna, tentando arranjar assunto – quando é seu aniversário?
Demorei um pouco para responder. Não era uma data importante para mim.
- Acho que cinco de maio – respondi – Mas na verdade, não é uma data importante para mim.
- O meu é doze de novembro – disse Luna.
- Que bom – eu disse.
- E você, Sally? – perguntou Luna.
- Dezessete de maio, por aí.
- No mesmo mês que o Paullie! Que legal!
- Ahã. Legal.
Terminamos de comer em silêncio.
- Onde foi seu namorado? – perguntei a Sally.
- Ele está em alguma outra mesa lanchando com os amigos. Não gosto dos amigos dele.
- Claro, claro – disse Luna, como se pensasse o mesmo sobre os meus amigos. Ou melhor, a minha amiga.
Pigarreei:
- Luna, vamos voltar para a fila.
- Está bem.
Ela segurou meu braço e lançou um olhar competitivo para Sally.
Depois de mais uma rodada entediante de pinturas entediantes num lugar entediante com pessoas entediantes, nos dirigimos ao último quadro.
Era um dos quadros menos entediantes. Retratava uma grande árvore sem folhas. Nos seus galhos, havia cabeças sangrentas penduradas.
- Pintura interessante, não? – disse alguém.
Olhei para o lado. Era Sally. Ela deu um sorrisinho.
Uma pequena multidão se juntou em volta de um canto da parede. Todos pareciam horrorizados.
- Ele está morto! – uma garota gritou.
Eu me aproximei. Havia um garoto sentado, com a boca aberta e a cabeça tombada de lado. Havia furos de canivete na sua testa e em outras regiões da cabeça. Estava visivelmente morto.
- Duvido que ele volte a reclamar do meu cabelo – disse Sally, baixinho, ao meu ouvido.
Nós sorrimos. A polícia chegou. Os professores nos levaram embora.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010 4 comentários

Paul cap 14

 Capítulo 14

Sem aquela garota que eu matei para nos chatear, quase ninguém veio dizer que estávamos namorando. A amiga da Luna disse estar feliz por eu ter voltado a conversar com ela.
Eu também estava feliz, em parte. Mas, ao mesmo tempo, me preocupava com ela. Eu sou perigoso. E eu sabia que quanto mais próximo eu ficasse dela, mais eu iria querer arrancar as tripas dela fora. Mas, estranhamente, ela não parecia querer arrancar as minhas.
Luna me chamou para ir ao cinema, ver um filme idiota chamado “Um romance sem palavras” ou algo assim. Só para agradar, aceitei o convite.
Lá para as seis da tarde, passei na casa da Luna e a busquei para o cinema. Já que não era longe, fomos a pé.
Chegando lá, havia uma fila gigante para comprar as entradas para aquela porcaria de filme. Entramos na fila, mas logo anunciaram que os ingressos acabaram. Resolvemos assistir outro.
Luna sugeriu que podíamos ver um filme infantil. Eu podia até ver uma chatice romântica, mas aquilo era demais para mim.
- Ah, Paullie, vamos... Eu queria tanto passar um tempo com você fazendo alguma coisa legal.
- Ver “A Terra Cor-de-rosa dos Coelhos” não é coisa legal para mim. Se quer ver algum filme comigo, só se for aquele.
Apontei o cartaz do filme “A ladra de vozes”, um filme de terror pesado que diziam ser bom.
- M... mas... – disse Luna – vou ficar com medo.
- É só um filme, Luna. Além do mais, vou estar do seu lado durante todo o tempo.
Ela sorriu:
- Está bem. Com você, me sinto protegida.
Claro, ela não podia imaginar que não tinha jeito de ela ficar tão desprotegida quanto junto de mim. Mas eu relevei isso e disse:
- Claro, Luna. Vou te proteger.
Ela pegou meu braço e compramos o ingresso. Depois fomos para a sala.
Não havia nenhum outro casal apaixonado naquela sala, apenas um. Resolvi me sentar perto deles, pois os outros eram aquelas grandes turmas de amigos que falam alto e jogam pipoca nos outros.
Olhei para o casal. O garoto tremia antes mesmo que o filme começasse. A garota parecia comigo. Não a aparência, mas o jeito como ela agia e olhava em volta, desanimada e com um leve brilho psicótico nos olhos.
Ela me olhou e deu um sorrisinho. Eu dei outro. Luna tremia assim como o namorado daquela garota. Sentei-me do lado dela.
- Olá – ela disse.
- Oi.
Olhamo-nos por um instante.
- Já matou alguém? – perguntei baixinho.
- Que pergunta. Já!
E ela pôs a mão no bolso, puxando diretamente uma lâmina que reluziu à fraca luz do cinema. Um canivete.
- Eu não costumo andar armado – falei – Prefiro usar minha própria força.
Ela sorriu:
- Sally.
- Paul. Prazer.
- O prazer é meu.
Apertei a mão dela rapidamente. O filme começou. Luna se agarrou a mim.
O filme era sobre uma mulher que sonhava em ser cantora, mas era muda. Com ódio, ela começou a perseguir grandes cantores e matá-los, colecionando suas cordas vocais.
Luna tremeu e fechou os olhos durante praticamente o filme inteiro. Na parte em que a mulher muda enfiou uma sombrinha na goela de uma cantora, na parte em que a muda tirou o cérebro de um cara pelo nariz, e até mesmo na parte em que a muda transpassou uma cantora mais velha com uma perna de cadeira. Já Sally não. Como eu, ela gargalhava e seus olhos brilhavam enquanto ela assistia. Seu namorado tinha desmaiado.
Por fim, o filme acabou e saímos. Sally acenou para mim antes de levar o namorado no colo para a enfermaria. Eu olhei o rosto aterrorizado de Luna.
- O que achou do filme? – ela perguntou.
- Levinho – respondi – Realmente, hoje em dia as pessoas não fazem filmes de terror de verdade. Aquele sangue é bem tosco. E você, Luna? O que achou?
- Medonho – ela disse – vou ter pesadelos.
Eu ri.
Quando estávamos na porta da casa dela, ela se virou para mim e disse:
- Paullie, tenho que fazer uma coisa para ter certeza que vou conseguir dormir hoje.
- O quê?
Foi muito rápido. De repente, ela segurava meu rosto entre as mãos e me beijava. Eu fiquei calado, e não tentei empurrá-la. Eu não quis magoá-la. Certo, gostei um pouco. É, tudo bem, gostei muito. Mas me arrependi depois. Era melhor ela ficar magoada do que acabar perdendo a vida.
Ela me soltou, acenou e entrou em casa. Eu fiquei encarando a porta por 10 minutos, chocado. Depois, sorri e fui para casa.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010 5 comentários

Paul cap 13

 Capítulo 13

Como não havia porão na minha nova casa, deixei o baú com ossos no fundo do meu armário, embaixo de uma pilha de roupas que o camuflava perfeitamente. Minha mãe jogou os vidrinhos com olhos e tripas fora porque fediam demais.
Aquele quarto não combinava comigo.
Foi difícil conseguir dormir de noite sem ouvir o diabrete batendo na gaveta. Estava tudo silencioso. Nem mesmo a madeira rangia. Eu podia até mesmo ouvir a respiração de meus pais dormindo. Dormi mais tarde que o normal, às quatro da manhã.
Acordei no dia seguinte me arrastando, morrendo de sono. Olhei-me no espelho enorme do banheiro. Minhas olheiras estavam ainda maiores que o normal. Meu cabelo estava desarrumado do jeito que eu gosto que ele fique. Mas meu pai odiava, então o arrumei como sempre.
Desci para a cozinha. Minha mãe havia preparado um café da manhã suntuoso, e saltitava de alegria. Eu a observei, infeliz. Ela merecia uma família melhor. Um marido que tolerasse seus pequenos desastres. Um filho que gostasse de seus agrados e carinhos. Que a tratasse como gente.
Mas não posso fazer nada se ela escolheu meu pai.
Sentei-me à mesa e tomei um copo de suco e alguns biscoitos de água-e-sal. Ela se sentou ao meu lado, feliz por eu estar com ela para tomar café. Deu um beijinho na minha bochecha. Eu dei uns tapinhas amigáveis nas suas costas, terminei meu suco e saí. Meu pai já tinha ido ao trabalho.
Na porta de casa, encontrei Luna.
- Indo para a escola? – ela perguntou.
Afirmei com a cabeça.
- Vou com você – ela disse, e pegou minha mão. Eu a empurrei – Você não vai fugir de mim, Paullie. Por mais que me ache uma bruxa, sei que você gosta de mim.
Ela abraçou meu braço, acariciando meu ombro. Então, encostou acabeça nele e segurou minha cintura.
“Cai fora”, eu queria dizer. Em vez disso, o encanto dela me fez dizer:
- Sim, Luna. Eu gosto de você. Estou apaixonado por você, Luna.
Ela sorriu:
- Eu sabia.
Depois, ela me puxou pelo colarinho e olhou nos meus olhos.
- Pode me beijar agora? – perguntou.
Eu quase cedi. Mas a empurrei gentilmente.
- Não – respondi, me virando e continuando em direção à escola.
- Por quê? – ela perguntou, correndo atrás de mim.
Realmente. Por quê? Eu tinha 17 anos e nunca havia beijado uma garota, sendo que já tive a chance várias vezes. Isso não faria sentido para ninguém.
Mas para mim fazia. Eu sou perigoso.
Senti o pequeno peso no meu bolso sumir. Luna havia surrupiado o meu caderno de poesias.
- Posso ler? – perguntou.
“Tire as mãos disso!”, eu quis gritar.
- Claro – falei.
Luna abriu o caderno e começou a ler.
- São lindas – disse ela. Ela sorriu – E este aqui? “O coração de Luna”. É sobre mim?
- Não! Não leia! – gritei, e tomei o caderno cinza das mãos dela, guardando-o de volta.
Luna sorriu.
- Está com vergonha?
- Não é vergonha. É que...
- Claro, claro, entendi.
Eu sorri e envolvi os ombros dela com o braço. Fomos os dois juntos para a escola.
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010 2 comentários

Paul cap 12

 Capítulo 12

Lá para as 4 da tarde, a casa estava vazia. Não levamos nenhum móvel, pois a casa nova já era mobiliada. Simplesmente entramos no carro do meu pai e partimos ao nosso novo lar. Observei minha casa, agora com uma placa de vende-se no gramado, até que ela sumisse de vista.
Meu pai parou o carro. Desci e olhei a casa à minha frente.
- Gostou, Paul? – perguntou minha mãe.
A casa era gigante, com as paredes amarelo-escuras, um gramado verdejante, com arbustos bem cuidados e floridos. Havia grandes janelas. A casa refulgia ao sol. Meus olhos ardiam de tão maravilhosa.
- Odiei – respondi.
Não, eu não estava fazendo birra. Aquela casa não fazia meu estilo. Arrumadinha e feliz demais.
Entrei na casa. Era espaçosa, arejada e bem iluminada. Tinha dois andares como a outra, mas seus móveis eram confortáveis e modernos, ao contrário da minha casa antiga. Toda aquela luz e conforto me deixavam enojado. Subi a escada espiralada. Havia um quarto de casal e dois de solteiro. Na porta do menor tinha uma placa onde estava escrito “Hóspedes”. Deduzi que o maior era meu e entrei.
Tive que fechar os olhos com a luz cegante da janela do meu quarto. Parecia que eu estava na mira de um holofote. Sentei-me na minha nova cama. O colchão era macio e a roupa de cama estava novinha em folha. Havia até mesmo um travesseiro ainda dentro da embalagem. O armário era grande, o dobro do espaço que minhas poucas roupas ocupavam. Procurei pelas gavetas. Todas vazias e limpas. Nada de diabretes.
Suspirei. No meu novo quarto havia também uma mesinha de cabeceira e uma escrivaninha. Do lado desta havia uma porta. Eu a abri. Era um banheiro. Havia uma banheira, uma pia e um vaso sanitário. E um enorme espelho.
Era tudo perfeito. Do jeito que eu detesto.
Resmunguei e desci para o jardim. Eu precisava pegar minhas coisas e colocar no quarto.
Abri o porta-malas e peguei duas malas. Mas quando fechei o porta-malas, vi algo que me fez odiar ainda mais minha nova casa.
Na casa da vizinha, a porta se abriu. E, de dentro dela, saíram duas mulheres. Uma era alta, de cabelos negros em rabo-de-cavalo, olhos de gato marrom-avermelhados, boca grossa e expressão simpática. Parecia ter uns 32 anos. A outra eu conhecia bem.
- Luna? – perguntei a mim mesmo. Ela pareceu me ver também.
Luna sorriu e correu até mim.
- Paul! – ela gritou – você se mudou para cá? Que ótimo!
Eu lancei meu melhor olhar gélido, mas ela pareceu não se importar.
- Aquela é a minha mãe – Luna disse, apontando a outra mulher.
- Nova, não? – eu perguntei, e quase me bati por ter dito alguma coisa com aquela bruxa.
- Sim. Ela engravidou quando tinha 15 anos. Meu pai não quis se casar com ela, mas ela se casou com outro mais tarde. Mesmo assim, meu pai me visita e me dá presentes de vez em quando. Tenho mais dois irmãos, um adotado de 15 anos e um filho do meu padrasto, que ainda é bebê.
Ela continuou a tagarelar sobre um monte de coisas. Eu suspirei, virei de costas e levei minhas malas pro meu quarto, deixando-a falar sozinha.
domingo, 12 de dezembro de 2010 6 comentários

Paul cap 11

Capítulo 11

Um dia cheguei em casa e fui recebido por um forte abraço de minha mãe. Olhei para a sala. Estava vazia.
- O que aconteceu? – perguntei.
- Vendemos os móveis quase todos – disse minha mãe – Menos seu armário e as outras coisas que já estavam aqui quando chegamos.
- Vamos nos mudar? Já?
- Ainda hoje. Vamos, arrume suas coisas.
- Certo.
Pequei uma maçã na cozinha e subi para o meu quarto. Abri a gaveta e entreguei a maçã para o diabrete. Ele a engoliu inteira, com o talo e as sementes. Depois abriu um sorriso diabólico e ao mesmo tempo amigável para mim.
- Eu vou embora, Johnson – falei.
Ele cuspiu na madeira do fundo da gaveta. Depois mostrou a língua para mim.
- Eu também vou sentir sua falta – eu disse – você vai achar outro dono, pode ter certeza. E se ele quiser te maltratar, sabe o que fazer, não?
O diabrete fez um som parecido com uma medonha risada. Eu ri também.
- Adeus, cara – me despedi.
E essa foi a última vez em que conversei com meu único amigo. Fechei a gaveta e comecei a arrumar minhas malas.
sábado, 11 de dezembro de 2010 2 comentários

Paul cap 10

Capítulo 10

Nas semanas que se seguiram, Luna já não era a garota alegre que eu conhecia. De tempos em tempos flagrava lágrimas em seus olhos.
Algumas vezes ela tentou falar comigo. Mas eu a ignorei completamente e lancei a ela olhares gélidos e cruéis.
Sobre a morte misteriosa da garota fútil, ninguém imagina que tenha sido eu. Apenas a amiga mais íntima dela me dava olhadas acusadoras, mas além dela ninguém parecia sentir falta da garota. Depois de um tempo, botaram a culpa num gorila que fugiu do zoológico.
Luna começou a não ter animação para sair com as amigas e todo dia estava com cara de quem não dormiu direito.
Com o tempo, porém, ela foi melhorando, chorando menos, sorrindo mais. Estava quase como antes. Para mim isso era ótimo. Ela ia conhecer outros caras, voltar a ser feliz e me esquecer. È o melhor para ela.
Eu tinha grandes esperanças que isso acontecesse. Leda ilusão.
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010 3 comentários

Paul cap 9

Capítulo 9

Depois da aula, desci com Luna para a portaria e saímos para ir à uma lanchonete. Ainda no quarteirão da escola, vi a garota fútil que zombou da Luna na aula. Ela estava se dirigindo a uma rua deserta.
Era a minha chance.
- Espere aqui, Luna – eu disse – tenho que fazer uma coisa.
- Está bem.
Saí correndo na direção da garota. Ela pareceu perceber que eu a perseguia e começou a andar mais rápido. Mesmo assim, eu a alcancei, peguei seu braço e a joguei violentamente nos tijolos de um muro. Depois apertei o pescoço dela.
Naquele momento, eu podia ouvir sua respiração ofegante, a pulsação rápida de seu coração. Podia sentir o terror que ela sentia, a tensão em seus músculos.
Depois, com uma força que eu não sei de onde veio, degolei-a com minhas próprias mãos.
Limpei o sangue das minhas mãos na blusa dela. Não foi suficiente. Lambi os restículos de sangue nos meus dedos e larguei a garota lá.
Voltei para onde deixei Luna esperando.
- Aonde você foi? – perguntou ela.
- Fui ver se tem o que eu precisava naquela loja – apontei qualquer loja de onde eu estava.
- Mas é uma perfumaria.
- Anh... Presente pra minha mãe.
- Certo. Vamos?
- Claro.
Chegamos na lanchonete. Pedi um hambúrguer comum e Luna pediu um de frango com salada.
Comi em silêncio, pensando no assassinato que havia acabado de cometer. Já Luna não calava a boca, falando de um monte de bobagens sobre a vida dela enquanto eu fingia ouvir.
No fim, ela segurou minha mão e disse algo sobre mim. Eu imediatamente comecei a prestar atenção.
- E, Paul, mesmo tendo muitos outros garotos a fim de mim – dizia ela, colocando a mão no meu ombro – eu só ligo para você, Paul. Gosto de você. Muito.
Ela beijou minha bochecha e me abraçou. Eu dei um sorrisinho e acariciei os cabelos dela. Ela levantou o rosto e se aproximou do meu. Senti a respiração leve dela. Nossos lábios quase se encostavam.
Abri os olhos. O que eu estava fazendo? Eu a empurrei e me encolhi no extremo do banco. Ela me olhou, incrédula.
- Por que fez isso? – perguntou ela.
Eu amarrei a cara. Ela não entendia que eu era perigoso, não importava o que eu fizesse. Ela só usava seus truques para me encantar. Aquela desgraçada. Aquela...
- Bruxa! – Eu gritei para ela – Você é uma bruxa!
- M-mas – disse ela – Paul, do que você...
- Fique longe de mim.
O queixo dela começou a tremer e algumas lágrimas escorreram. Droga. Ela estava chorando.
O que eu ia fazer? Olhei para todos os lados. Resolvi que o melhor seria fugir. Pulei por cima da mesa e saí correndo. Mas, infelizmente, minha fuga triunfal foi interrompida por um atendente muito bravo que exigia que eu pagasse a conta.
 
;