domingo, 12 de setembro de 2010

Paul cap. 4

Capítulo 4
   Minha mãe entrou, sorridente, no quarto. Com uma bandeja. Deixou-a em cima da cama. Tinha chá e muffin. Fiz uma careta. Odeio doces. Minha mãe me deu um beijo na testa e desceu.
   Eu tomei o chá e dei os muffins pro diabrete.
   Ouvi risadinhas lá embaixo. Resolvi ir checar o que meus pais estavam fazendo. Sabe, eu não quero irmãos.
   Desci e vi meus pais abraçados, sentados no sofá. Pareciam felizes, como uma família de propaganda de peru de natal. Patético. Minha mãe deu uns beijinhos no rosto do meu pai e depois acenou para mim.
   Certamente ela tinha esquecido da briga. Como sempre.
   Minha mãe, Anita, tem forte problema de memória. Às vezes ela esquece de trancar a porta, de colocar sutiã, do próprio aniversário. Já se esqueceu de quem era quando eu tinha cinco anos. Ela está sempre avoada e com cara de idiota.
   Meu pai realmente a ama, mas perde a paciência fácil quando ela faz bobagens. Mas pelo menos ele nunca a agrediu fisicamente. Uma vez eu o vi morder o pescoço dela, mas ela parecia achar divertido. Graças a Deus, não ganhei um irmão depois.
   - Paul – disse minha mãe – Henry e eu resolvemos algo importante.
   Por favor. Não me diga que vou ter um irmão.
   - Vamos nos mudar – disse meu pai.
   Por um momento me senti aliviado. Depois percebi o que meu pai disse. E explodi:
   -O QUÊ? NÃO QUERO SAIR DAQUI!
   Subi para o meu quarto e bati a porta, deitando na cama e enfiando o travesseiro na cara.
   Minha mãe entrou no meu quarto e sentou-se do meu lado. Passou a mão no meu cabelo, deixando-os desarrumados. Meu pai não gosta quando ela faz isso.
   - Por que não quer se mudar, Paul?
   -Você sabe muito bem.
   - Por quê?
   - Por causa do Johnson, sua retardada.
   Ela ficou em silêncio, vasculhando a memória. Finalmente, seus olhos se iluminaram ao lembrar.
   - Ah sim, Johnson, o diabrete!
   - Ele precisa de mim.
   - Olha, querido, se ele sobreviveu tanto tempo até você encontra-lo, com certeza vai sobreviver até o próximo inquilino.
   - E se o próximo inquilino mata-lo?
   Minha mãe suspirou.
   - Tenho certeza que ele sabe se cuidar.
   Pensei por um instante. Por fim, afirmei com a cabeça. Minha mãe sorriu e saiu do quarto.

P.S.: Esqueci de comentar que o Henry é um personagem emprestado pela minha amiga Júlia Magalhães =) Sorry Ju

5 comentários:

Sílvia disse...

A história continua ótima.

Paul é muito egoista. Acho que ele precisa levar uma lição pra ver se muda.

Será que é possível?

Vamos aguardar o desnrolar da história.

Beijos, beijos!!!

Anônimo disse...

A história é muito boa, mas eu devo mencionar uma coisa que me chateou nela... Belaum, vc não me deu crédito pela parte do Henry, filha. Se não se lembra, ele é um dos meus. Mas tudo bem. Ainda que uma frase "o pai do Paul é personagem de uma amiga minha" não cairia mal.
Bjos
Vrolokk

Pedágio disse...

oii, é so copiar a imagem e colaar na suaa pg de parceriias..
me seguee por favor ?
beiijos.

Lúcio Neto disse...

henry? que henry? vc tá loca?

Bela disse...

henry eh o pai do paul

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