sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Paul cap 3

Capítulo 3

   Quando finalmente acabou a aula, fui para casa.
   Moro numa casa grande, de madeira, em um bairro vazio e cinzento. Minha mãe queria se mudar, mas eu não. Sempre gostei de lá.
   Quando passei pela porta, já ouvi os berros do meu pai e o choro da minha mãe. Ele estava gritando com ela de novo. Era só eu virar as costas.
   Subi as escadas e o vi, em pé, gritando, e ela, ajoelhada, aos prantos. Uma xícara de café estava quebrada entre eles, e ela recolhia os cacos com as mãos. Sempre tão desastrada.
   - Pai – eu disse – Quantas vezes tenho que dizer que só eu posso fazer a mamãe chorar aqui?
   Meu pai me lançou um olhar raivoso. Minha mãe me olhou com olhos brilhantes.
   - Ah, meu bebê – disse ela, sorrindo.
   Ela se arrastou até mim e abraçou minhas pernas.
   - Muito obrigada por me defender, Paul – disse ela.
   Eu me abaixei e dei um tapa no rosto dela. Eu realmente não estava com humor para carinhos. Ela se deitou no chão e ficou chorando. Eu fui pro meu quarto.
   Meu quarto era pequeno, sem janelas, feito de madeira velha, que rangia a meus pés. A cama também era antiga. Mas o mais legal era o armário.
   Dentro dele tinha uma gaveta aonde morava um diabrete. Ele ficava preso lá, e eu podia deixar comida e brinquedos para ele. Meu pai não sabe quanto a ele, mas minha mãe sim. Eu sempre conto as coisas pra ela.
   Mesmo ela esquecendo na maioria das vezes.
   Eu me deitei na cama. Fiquei encarando o teto. Minha mãe me chamou para almoçar entre soluços.
   Desci para a sala. Havia uma sopa na mesa. Eu olhei para ela. Depois provei uma colher. Só então percebi o tanto que eu estava com fome. Engoli o resto da sopa. Depois voltei pro meu quarto, levando um pedaço de cenoura. Abri a gaveta do meu armário e dei a cenoura pro diabrete. Ele lambeu a cenoura, depois enfiou tudo pela goela e arrotou. Meu quarto ficou fedendo. Abri a porta pra entrar um ventinho.
   Depois me sentei na cama e fiquei olhando as digitais dos meus dedos.

4 comentários:

Anônimo disse...

uashuhsuashauhsuahu muitoo legal Oo
:) parabens ...
obs: Paul é estranhoooo

Sílvia disse...

Bela,
Paul precisa de tratamento psquiátrico, rsrs.
Providencie, afinal você é a criadora dele.
Bjos

Sílvia disse...

Mas, a história está ótima!
Parabéns!

Mais beijos

Lúcio Neto disse...

GENTE QUE LOCURA EU TAMBEM FAÇO ISSO COM MINHA MÃE.

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