sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Lilith Capítulo 1

Esta é uma história maior que estou fazendo, ainda não sei se vou querer postar ela inteira aqui no blog, mas, de qualquer jeito, aí vai o primeiro capítulo para dar um gostinho:

   O céu estava negro com a noite, apenas a lua diminuia sua escuridão. Havia densa neblina em toda a cidade. Ventava forte, e os ventos arrepiavam as folhas das árvores por onde passava.
   A garota corria pelas ruas gélidas, encoberta pela sombra. Usava uma grande capa preta que a esquentava e escondia sua identidade. Arfava.
   Então chegou a uma pequena estrada de asfalto. Com pequena não estou exagerando. Ela não chegava a 10 metros. Ia a um enorme portão de ferro, trancado. A garota passou pela fresta embaixo do muro de cimento e entrou no cemitério.
   Era assustador e belo ao mesmo tempo: centenas de lápides e túmulos de mármore branco cintilavam à luz da lua, o orvalho formava um tapete brilhante na grama. A garota observou, maravilhada, os anjos e cruzes ao seu redor. Deslumbrante. Mas não era isso que a interessava.
   Correu na estrada de asfalto que cruzava o cemitério. Passou pela bela igreja, também de mármore branco. Até chegar ao grande portão enferrujado do outro lado do cemitério. Um portão antigo, de ferro negro. Ela sabia que ele estava aberto. Nunca o trancavam. Abriu-o um pouco e entrou.
   Se encontrava agora no antigo cemitério da cidade. Abandonado dezenas de anos atrás por apresentar perigo místico. E era isso o que ela procurava.
   Andou entre as lápides de pedra, rachadas com o tempo. Observou as esculturas de caveiras, demônios e capas segurando enormes foices. Mas não sentia medo.
   Chegou então embaixo de uma enorme árvore morta, que jazia ali há anos mas jamais caíra. Em sua sombra, havia uma pequena pedra incrustada ao chão, uma pedra de mármore negro, com o desenho de uma cruz ao contrário e três dígitos: 666.
   Ela tirou a capa que estava usando. Era uma garota jovem, alta e magra, de face redonda. Seu cabelo negro, liso e comprido tampava metade de seu rosto. O seu olho vísivel era castanho-claro.
   Ela abriu um bolso que ficava dentro da capa. De lá, tirou uma faca, um cantil de água, uma caixa de fósforos, um pedaço de papel, uma semente e um balão, que não estava cheio.
   Então ela começou a agir: Primeiro, despejou a água do cantil na grama na diagonal direita acima da lápide. Depois, riscou um fósforo e botou fogo no papel, colocando-o na diagonal esquerda abaixo da lápide. Então, enterrou a semente na diagonal direita abaixo da lápide. Encheu o balão com ar e o colocou na diagonal esquerda acima da lápide.
   Por fim, pegou a faca e cortou a palma de sua própria mão esquerda. Passou um dedo no sangue, e passou o sangue acima dos escritos na lápide (nunca tente isso em casa).
   Se levantou e esperou.
   Logo, as nuvens tamparam também a lua, deixando tudo completamente escuro. O fogo do papel se alastrou pela grama e pela terra, formando o desenho perfeito de uma estrela no chão. Um raio caiu do céu, atingindo a lápide e a rachando no meio. Um tornado negro saiu de dentro da rachadura. Sua velocidade foi diminuindo, até que era apenas uma sombra negra, que circulava a garota que observava tudo paralisada. A sombra parou em cima da lápide rachada, e começou a tomar forma.
   Postado na frente da garota, agora se achava um rapaz branco como um morto, com cabelos negros e rebeldes. Tinha os olhos completamente vermelhos rodeados de olheiras negras. Sorriu, mostrando uma fileira de dentes brancos e um par de caninos enormes e pretos. A criatura tinha chifres, não muito longos, mas afiadíssimos. Era alto e forte, usava roupas antigas e surradas. Movimentou os dedos como se quisesse pegar o pescoço da garota e torcê-lo. Um pouco acima de seu traseiro, saía uma cauda em forma de flecha.
   - Quem ousa? - perguntou ele.
   - E-eu - gaguejou ela - Meu nome é Lilith.
   - Ah, sim - disse ele - Uma velha amiga minha tinha esse nome também. Sua mãe tem ótimo gosto.
   Ele abriu um sorriso tenebroso.
   - Apresente-se - ordenou Lilith.
   - Claro - disse ele - Meu nome é Ferdinand.
   - Eu sei que você tem várias formas, demônio. Pare de me assustar.
   Ele suspirou:
   - Pensei que fosse novata.
   - E sou. Mas me informei bastante antes. Ordeno que se transforme imediatamente.
   O demônio se dissipou em uma nuvem negra novamente e voltou a se materializar. Agora ele estava pálido, mas não tanto. Ainda tinha seus dentes, chifres e cauda. Seus olhos já não eram completamente vermelhos, apenas a íris continuou desta cor. E suas roupas mudaram, se tornando mais modernas e bem cuidadas.
   O demônio encarou o rosto de Lilith.
   - Por que tampa o rosto com seus cabelos? - perguntou ele - Você é emo?
   - Não! - ela disse - Só tenho vergonha.
   - Você não é feia. Tem algo errado com este lado de seu rosto?
   - Sim, tem.
   - O quê?
   - Não importa a você, demônio.
   - Talvez eu possa ajudar.
   Ela pensou por um instante. Seus olhos brilharam de esperança.
   - Está bem - disse, afinal.
   Afastou os cabelos do rosto com um movimento da mão. O demônio ergueu as sobrancelhas, surpreso. Toda aquela metade do rosto de Lilith estava completamente deformada e ferida. Não tinha a sobrancelha, a narina era levemente mais aberta que a outra e a boca era repuxada para baixo. Em sua bochecha e em sua testa haviam buracos que mostravam carne viva. Mas o mais surpreendente era seu olho. Não era um buraco, nem estava queimado. Ele era completamente vermelho.
   - O que aconteceu? - perguntou o demônio.
   - Queimadura - respondeu Lilith - Fui queimada quando ainda era um bebê.
   - Conte-me.
   Ela suspirou e começou a contar:
   Ela era apenas uma criança de um ano e poucos meses quando seus pais saíram para o trabalho, deixando-a sozinha com seus cinco irmãos mais velhos, Lara, Teresa, Helio, Minie e Rian. Lara e Teresa eram gêmeas de 15 anos. Ambas eram um tanto quanto rebeldes, e queriam passear no cemitério aquela noite, para aproveitar que os pais não estavam lá. Queriam deixar Lilith em casa, mas como Helio não queria cuidar de Lilith e os outros irmãos eram muito novos para isso, resolveram levá-la com elas. Então Lara e Teresa chamaram seus amigos e foram todos juntos para o cemitério antigo. Riram e beberam por um bom tempo. Um de seus amigos deram a idéia de invocar demônios. Todos riram e concordaram. Não acreditavam que aquilo existia. Assim, fizeram um ritual simples, e conseguiram invocar um demônio não muito experiente. Ficaram aterrorizados. Teresa se virou para o demônio e o ofendeu com palavras rudes sobre sua aparência. O demônio se enfureceu. Encheu o peito de ar e soltou labaredas de fogo nos adolescentes. Maioria conseguiu fugir em segurança, mas Teresa, que estava com Lilith no colo, foi seriamente atingida, e Lilith, apenas naquela metade do rosto. Teresa deixou ela cair no chão, pôs as mãos no rosto e caiu de joelhos. Lara rapidamente pegou Lilith no colo. Queria ajudar Teresa, mas esta estava sendo consumida pelas chamas. Assim, saiu correndo com Lilith no colo, Lilith chorando como nunca na vida, enquanto sentia a pele arder com a queimadura. Tinha os olhos completamente fechados pela dor. Quanto a Teresa, esta nunca mais foi vista.
   - Então você é cega de um olho? - perguntou o demônio a Lilith.
   - Não - disse Lilith - Pelo contrário. Agora posso ver.
   - Como assim?
   - Posso ver criaturas mágicas. Fadas e diabretes. No começo foi árduo aguentá-los e eu tinha medo. Mas, com o tempo, me acostumei. Considero-os quase amigos hoje.
   - Aquele demônio te deu a Visão... Isto é raro. E valioso.
   - Sim. Mas então, como pode me ajudar sobre a queimadura?
   - Não posso.
   A esperança nos olhos de Lilith sumiu:
   - Como assim?
   - Eu até poderia se fosse uma queimadura comum, por um incêndio de causas normais ou coisas assim. Mas como é o fogo de um demônio, nada posso fazer.
   Lilith ficou em silêncio, encarando o chão.
   - Realmente sinto muito - disse o demônio, em um tom quase convincente - Mas então, por que me chamou afinal?
   - Eu queria pedir um favor a você - respondeu ela.
   - Um favor? E qual seria?
   - Bem, é o seguinte...

O que acharam?

4 comentários:

Felipe Luigi disse...

amei belaum!!

tt disse...

podia ter mais sangue...

Bubble Gumm disse...

Suuuuuuuuper!
põe o resto da Hisória aqui!!
PLIIIIIIISE Belão!
É ótimo!

Sílvia disse...

Legal, Isa. Surpreendente. Continue.

Postar um comentário

 
;