sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010 4 comentários

Lilith Capítulo 1

Esta é uma história maior que estou fazendo, ainda não sei se vou querer postar ela inteira aqui no blog, mas, de qualquer jeito, aí vai o primeiro capítulo para dar um gostinho:

   O céu estava negro com a noite, apenas a lua diminuia sua escuridão. Havia densa neblina em toda a cidade. Ventava forte, e os ventos arrepiavam as folhas das árvores por onde passava.
   A garota corria pelas ruas gélidas, encoberta pela sombra. Usava uma grande capa preta que a esquentava e escondia sua identidade. Arfava.
   Então chegou a uma pequena estrada de asfalto. Com pequena não estou exagerando. Ela não chegava a 10 metros. Ia a um enorme portão de ferro, trancado. A garota passou pela fresta embaixo do muro de cimento e entrou no cemitério.
   Era assustador e belo ao mesmo tempo: centenas de lápides e túmulos de mármore branco cintilavam à luz da lua, o orvalho formava um tapete brilhante na grama. A garota observou, maravilhada, os anjos e cruzes ao seu redor. Deslumbrante. Mas não era isso que a interessava.
   Correu na estrada de asfalto que cruzava o cemitério. Passou pela bela igreja, também de mármore branco. Até chegar ao grande portão enferrujado do outro lado do cemitério. Um portão antigo, de ferro negro. Ela sabia que ele estava aberto. Nunca o trancavam. Abriu-o um pouco e entrou.
   Se encontrava agora no antigo cemitério da cidade. Abandonado dezenas de anos atrás por apresentar perigo místico. E era isso o que ela procurava.
   Andou entre as lápides de pedra, rachadas com o tempo. Observou as esculturas de caveiras, demônios e capas segurando enormes foices. Mas não sentia medo.
   Chegou então embaixo de uma enorme árvore morta, que jazia ali há anos mas jamais caíra. Em sua sombra, havia uma pequena pedra incrustada ao chão, uma pedra de mármore negro, com o desenho de uma cruz ao contrário e três dígitos: 666.
   Ela tirou a capa que estava usando. Era uma garota jovem, alta e magra, de face redonda. Seu cabelo negro, liso e comprido tampava metade de seu rosto. O seu olho vísivel era castanho-claro.
   Ela abriu um bolso que ficava dentro da capa. De lá, tirou uma faca, um cantil de água, uma caixa de fósforos, um pedaço de papel, uma semente e um balão, que não estava cheio.
   Então ela começou a agir: Primeiro, despejou a água do cantil na grama na diagonal direita acima da lápide. Depois, riscou um fósforo e botou fogo no papel, colocando-o na diagonal esquerda abaixo da lápide. Então, enterrou a semente na diagonal direita abaixo da lápide. Encheu o balão com ar e o colocou na diagonal esquerda acima da lápide.
   Por fim, pegou a faca e cortou a palma de sua própria mão esquerda. Passou um dedo no sangue, e passou o sangue acima dos escritos na lápide (nunca tente isso em casa).
   Se levantou e esperou.
   Logo, as nuvens tamparam também a lua, deixando tudo completamente escuro. O fogo do papel se alastrou pela grama e pela terra, formando o desenho perfeito de uma estrela no chão. Um raio caiu do céu, atingindo a lápide e a rachando no meio. Um tornado negro saiu de dentro da rachadura. Sua velocidade foi diminuindo, até que era apenas uma sombra negra, que circulava a garota que observava tudo paralisada. A sombra parou em cima da lápide rachada, e começou a tomar forma.
   Postado na frente da garota, agora se achava um rapaz branco como um morto, com cabelos negros e rebeldes. Tinha os olhos completamente vermelhos rodeados de olheiras negras. Sorriu, mostrando uma fileira de dentes brancos e um par de caninos enormes e pretos. A criatura tinha chifres, não muito longos, mas afiadíssimos. Era alto e forte, usava roupas antigas e surradas. Movimentou os dedos como se quisesse pegar o pescoço da garota e torcê-lo. Um pouco acima de seu traseiro, saía uma cauda em forma de flecha.
   - Quem ousa? - perguntou ele.
   - E-eu - gaguejou ela - Meu nome é Lilith.
   - Ah, sim - disse ele - Uma velha amiga minha tinha esse nome também. Sua mãe tem ótimo gosto.
   Ele abriu um sorriso tenebroso.
   - Apresente-se - ordenou Lilith.
   - Claro - disse ele - Meu nome é Ferdinand.
   - Eu sei que você tem várias formas, demônio. Pare de me assustar.
   Ele suspirou:
   - Pensei que fosse novata.
   - E sou. Mas me informei bastante antes. Ordeno que se transforme imediatamente.
   O demônio se dissipou em uma nuvem negra novamente e voltou a se materializar. Agora ele estava pálido, mas não tanto. Ainda tinha seus dentes, chifres e cauda. Seus olhos já não eram completamente vermelhos, apenas a íris continuou desta cor. E suas roupas mudaram, se tornando mais modernas e bem cuidadas.
   O demônio encarou o rosto de Lilith.
   - Por que tampa o rosto com seus cabelos? - perguntou ele - Você é emo?
   - Não! - ela disse - Só tenho vergonha.
   - Você não é feia. Tem algo errado com este lado de seu rosto?
   - Sim, tem.
   - O quê?
   - Não importa a você, demônio.
   - Talvez eu possa ajudar.
   Ela pensou por um instante. Seus olhos brilharam de esperança.
   - Está bem - disse, afinal.
   Afastou os cabelos do rosto com um movimento da mão. O demônio ergueu as sobrancelhas, surpreso. Toda aquela metade do rosto de Lilith estava completamente deformada e ferida. Não tinha a sobrancelha, a narina era levemente mais aberta que a outra e a boca era repuxada para baixo. Em sua bochecha e em sua testa haviam buracos que mostravam carne viva. Mas o mais surpreendente era seu olho. Não era um buraco, nem estava queimado. Ele era completamente vermelho.
   - O que aconteceu? - perguntou o demônio.
   - Queimadura - respondeu Lilith - Fui queimada quando ainda era um bebê.
   - Conte-me.
   Ela suspirou e começou a contar:
   Ela era apenas uma criança de um ano e poucos meses quando seus pais saíram para o trabalho, deixando-a sozinha com seus cinco irmãos mais velhos, Lara, Teresa, Helio, Minie e Rian. Lara e Teresa eram gêmeas de 15 anos. Ambas eram um tanto quanto rebeldes, e queriam passear no cemitério aquela noite, para aproveitar que os pais não estavam lá. Queriam deixar Lilith em casa, mas como Helio não queria cuidar de Lilith e os outros irmãos eram muito novos para isso, resolveram levá-la com elas. Então Lara e Teresa chamaram seus amigos e foram todos juntos para o cemitério antigo. Riram e beberam por um bom tempo. Um de seus amigos deram a idéia de invocar demônios. Todos riram e concordaram. Não acreditavam que aquilo existia. Assim, fizeram um ritual simples, e conseguiram invocar um demônio não muito experiente. Ficaram aterrorizados. Teresa se virou para o demônio e o ofendeu com palavras rudes sobre sua aparência. O demônio se enfureceu. Encheu o peito de ar e soltou labaredas de fogo nos adolescentes. Maioria conseguiu fugir em segurança, mas Teresa, que estava com Lilith no colo, foi seriamente atingida, e Lilith, apenas naquela metade do rosto. Teresa deixou ela cair no chão, pôs as mãos no rosto e caiu de joelhos. Lara rapidamente pegou Lilith no colo. Queria ajudar Teresa, mas esta estava sendo consumida pelas chamas. Assim, saiu correndo com Lilith no colo, Lilith chorando como nunca na vida, enquanto sentia a pele arder com a queimadura. Tinha os olhos completamente fechados pela dor. Quanto a Teresa, esta nunca mais foi vista.
   - Então você é cega de um olho? - perguntou o demônio a Lilith.
   - Não - disse Lilith - Pelo contrário. Agora posso ver.
   - Como assim?
   - Posso ver criaturas mágicas. Fadas e diabretes. No começo foi árduo aguentá-los e eu tinha medo. Mas, com o tempo, me acostumei. Considero-os quase amigos hoje.
   - Aquele demônio te deu a Visão... Isto é raro. E valioso.
   - Sim. Mas então, como pode me ajudar sobre a queimadura?
   - Não posso.
   A esperança nos olhos de Lilith sumiu:
   - Como assim?
   - Eu até poderia se fosse uma queimadura comum, por um incêndio de causas normais ou coisas assim. Mas como é o fogo de um demônio, nada posso fazer.
   Lilith ficou em silêncio, encarando o chão.
   - Realmente sinto muito - disse o demônio, em um tom quase convincente - Mas então, por que me chamou afinal?
   - Eu queria pedir um favor a você - respondeu ela.
   - Um favor? E qual seria?
   - Bem, é o seguinte...

O que acharam?
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010 2 comentários

O Casamento de Noa

Aqui está outra história dos Contos de Sangue:


O Casamento de Noa




Era uma vez uma mulher chamada Noa Nogara. Ela tinha cabelos negros, pele morena e olhos castanho-escuros. Estava muito emocionada. Era o dia de seu casamento! Iria se casar com o amor de sua vida, Fedato Fantini. Ele tinha pele clara, cabelo cor de caramelo e olhos verdes.
Noa nasceu na Arábia, mas se mudou para a Itália aos cinco anos. E foi lá que conheceu Fedato, aos doze anos. Começaram a namorar aos treze. Como se amavam tanto, resolveram se casar com dezoito anos. E lá estavam eles, em 1990. Ela ia, de limusine, para a igreja. Usava um longo vestido rendado, completamente branco, e seu rosto estava coberto com um véu tão fino que parecia feito de neve.
Chegou na igreja. A marcha nupcial começou e ela entrou pela porta, passando lentamente pelo tapete que ia até o altar.
E lá estava Fedato, sorrindo para ela. Noa sorriu para ele também. Logo mudaria de Noa Nogara para Noa Fantini.
Se postou no altar, ao lado de Fedato. Olhou pra o padre. Ele olhava para os dois, sorrindo. Mas não era um sorriso normal. Algo brilhava nos olhos do padre. Algo escuro e terrível. Noa virou a cabeça para os lados e não viu ninguém mais perceber a expressão do padre. Nem mesmo Fedato.
Quando o sermão terminou, algo aconteceu. A igreja se encheu de sombras. A cruz se virou de cabeça para baixo. Todos gritaram. As janelas estouraram.
Noa suava frio. Viu então uma sombra vindo em sua direção. A sombra a atacou, e entrou nela, como se estivesse sendo absorvida pelo corpo dela. Noa sentiu uma dor insuportável e tombou no chão, contorcendo-se.
Os convidados olharam, desesperados. "Vamos embora daqui!", gritou um deles. Os convidados se levantaram e correram em direção à porta, mas esta se trancou. Os convidados se amontoaram em cima da porta, batendo nela e gritando.
Noa parou de se contorcer. Respirou fundo, os olhos fechados. Então se levantou vagarosamente, jogou o véu que estava tampando seu rosto para trás com os braços e abriu os olhos, olhando para Fedato.
Os olhos de Noa estavam vermelho-sangue. Não era mais a mesma mulher. Estava possuída. Ela sorriu maleficamente para Fedato. O padre soltou uma gargalhada, e pegou, escondido embaixo de uma mesa, um machado. Jogou para Noa, que o catou no ar automaticamente, sem tirar os olhos do Fedato, como se tivesse treinado esse movimento antes. O padre, então, bambeou e caiu no chão, desmaiado. De dentro dele emergiu uma sombra, como a que tinha entrado em Noa.
"Agora você vai morrer!", disse Noa para Fedato, sua voz alterada, grossa e rouca.
Noa deu um golpe do machado em Fedato, mas ele se desviou e saiu correndo. Foi até a porta, esmurrando-a junto com os outros convidados.
Noa correu até a porta, tentou acertar Fedato com um golpe, mas errou a pontaria e acertou uma senhora, degolando-a.
Fedato fugiu de perto da porta e escalou um banco. Deu um salto e se agarrou em uma das janelas quebradas, resgando a pele da palma de sua mão. Mas, mesmo assim, ele subiu pela janela e pulou para o jardim.
Noa rugiu furiosa. Com o machado, abriu espaço entre a multidão na frente da porta, e levantou a mão. A porta se abriu violentamente a seu comando. Ela saiu correndo porta afora, e avistou Fedato correndo na rua. Foi atrás dele. Não havia quase ninguém na rua. Correram metros e metros. Fedato tentava despistá-la, virando esquinas, mas Noa sempre conseguia encontrá-lo.
Por fim, ele virou uma esquina escura, e correu até o final da rua, mas se arrependeu por isso. Era um beco sem saída. Virou-se e viu Noa se aproximando dele, sorrindo ameaçadoramente. Fedato suava frio, e por fim desistiu de lutar contra a morte. Caiu de joelhos. Noa golpeou-o no ombro. Fedato berrou de dor e sangue espirrou para todos os lados, inclusive no vestido de Noa, antes branco como a neve. Depois Noa golpeou Fedato mais dez vezes, na perna e na barriga, e por fim golpeou-o no meio da cabeça. Fedato tombou no chão, morto.
Noa sorriu, e saiu do beco. Desde esse dia, procura homens belos e talentosos, para matá-los na hora do casamento.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010 5 comentários

A Menina das Bonecas

Esse é um pequeno conto que fiz há mais tempo, que postei a pedidos (para ser mais exata, foi o Felipe que pediu). É um conto de terror, de um projeto apenas com histórias medonhas, chamado Contos de Sangue, então não se enganem pelo nome feliz dessa historinha. Aí vai:

A Menina das Bonecas

Era uma vez uma menina chamada Bonita Boettcher. Era morena e tinha os olhos claros. Ela morava em Arta, uma cidade ao leste das Ilhas Baleares, na Espanha.
Adorava bonecas. Tinha uma coleção inteira delas. Mas suas bonecas eram diferentes. Eram montadas pela própria Bonita.
Bonita, ao ganhar as bonecas, cortava seus braços, suas pernas e sua cabeça fora. Se fosse possível, tirava também os olhos. Então ela costurava os braços, os olhos e as pernas em bonecas diferentes, montando, assim, bonecas completamente novas e originais.
Bonita tinha essa mania desde os três anos. Sua mãe, a sra. Boettcher, se orgulhava do talento de costura da filha. Seu pai a achava muito nova para mexer com agulhas, e tinha medo dela se machucar. Mas Bonita quase não se espetava com a agulha, e quando isso ocorria, eram espetadas muito leves.
Em 1999, quando Bonita tinha dez anos, olhou suas bonecas. Haviam algumas muito velhas e surradas. Outras ainda estavam novas, mas ela precisava de algo novo. Queria bonecas diferentes. Mais reais.
No dia primeiro de maio, feriado de Dia do Trabalho, a sra. Boettcher resolveu convidar umas primas mais novas de Bonita para passar o dia na casa deles. Bonita ficou feliz: adorava mostrar suas bonecas para as pessoas.
Logo as primas chegaram. Eram três: Vicki, bem branca, de cabelos negros e olhos como os de Bonita; Victorine, muito parecida com Vicki, mas com olhos escuros; e Violet, que se parecia ainda mais com Vicki, mas era mais magra.
Bonita ficou animada e levou as meninas para o quarto. Mostrou a elas as bonecas. As três quiseram logo brincar com elas.
Vicki viu que Bonita as observava enquanto brincava. Olhava para elas, juntando as sombrancelhas e franzindo o cenho em uma expressão pensativa, a franja reta cobrindo sua testa. Então Bonita saiu do quarto.
Momentos depois, Bonita voltou ao quarto, escondendo algo atrás de si. Entrou no quarto, trancou a porta e escondeu a chave no bolso. As garotas se assutaram ao ver que o que Bonita tinha na mão era uma peixeira.
“O que você está fazendo com a faca na mão?”, perguntou Violet. “Minha mãe sempre diz que brincar com facas e outras coisas pontiagudas é perigoso!”
“Não se preocupe”, disse Bonita, com um sorriso travesso. “Vou apenas fazer bonecas novas.”
“Você usa essa peixeira para desmontar suas bonecas?”, perguntou Victorine.
“Na verdade, costumo usar minha tesourinha sem ponta. Mas dessa vez vai ser diferente.”
Bonita avançou em Victorine e, com um movimento rápido, cortou fora seu braço direito com a peixeira. Sangue esguichou para todos os lados. As três primas gritaram. Bonita, então, degolou Violet. As outras duas avançaram para a porta, mas estava trancada e a chave estava com bonita. Bonita avançou para elas, degolando-as também. Observou as três primas mortas e sorriu maleficamente. Então desmembrou-as e arrancou seus olhos com uma colher de brinquedo. Olhou para as próprias mãos, completamente sujas de sangue. Limpou-as no vestido. Então pegou sua agulha e suas linhas e começou a costurar tranquilamente os membros sanguinolentos nos corpos. Logo estava pronta sua primeira “obra-prima”. Só faltavam os olhos.
A sra. Boettcher entrou no quarto.
Logo que viu Bonita, sentada em uma poça de sangue, enfiando um globo ocular em uma órbita vazia no rosto coberto de sangue de sua prima Vicki, a sra. Boettcher soltou um berro.
“Que tal minha nova boneca, mãe?”, perguntou Bonita, orgulhosa.
A mãe não respondeu. Apenas desmaiou.
Bonita está à solta, e ainda tem a mesma mania. Cuidado: você pode virar sua próxima boneca.

O que acharam?
Beijos
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010 3 comentários

Tinta Vermelha - Cap. 13

 Aproveitem bem, pois este é o último capítulo. Espero que gostem:
 
Capítulo 13
 
   Theodora sentia toda a pele ardendo. Seus olhos também ardiam, e ela percebeu que eles derretiam como cera. Estava completamente cega agora. Caiu de joelhos. Sentiu cheiro de queimado, e fumaça começou a sair de sua pele. Não demorou muito e estava ardendo em chamas. Em questão de segundos, Theodora se transformou em cinzas.
   Eleanor suspirou e pegou as cinzas de Theodora com uma pazinha, depois guardou-as em um pote.
   - Vou voltar para onde nascemos, na Espanha, e enterrar este pote.
   - Claro - disse Leonard - Mas não hoje, certo?
   - Não, precisamos dormir. Pode dormir comigo se quiser. Não tenho outro caixão, então vamos ter que nos apertar.
   - Tudo bem. Na verdade, pode ser até divertido.
   Ela riu.
   - Vamos - disse ela, e os dois entraram no alçapão que dava para o porão.
  
   Na noite seguinte, quando Leonard acordou, Eleanor já não estava no caixão. Ele se levantou preguiçoso e olhou para o lado. Lá estava Eleanor, ajoelhada na frente do armário, colocando roupas em uma mala.
   - O que está fazendo? - perguntou Leonard.
   - Arrumando minhas malas, obviamente - respondeu ela.
   - Vai embora?
   - Vou - ela pôs um último corpete na mala e a fechou, ficando de pé - Já fiquei muito tempo por aqui. Você devia ir também, ou seus conhecidos vão começar a estranhar você.
   - Vou com você então, para onde você for. Eu te amo, Eleanor.
   Ela riu e acariciou o rosto de Leonard. Depois disse:
   - Ah, Leo... Eu também te amo. Mas sou uma vampira. Tenho que viver sozinha. Você também, agora que é como eu.
   - Mas...
   - Acredite, é o melhor para nós dois. Eu sigo o meu caminho e você segue o seu.
   Ele ficou calado por um momento, observando o chão, desapontado. Então ergueu o olhar, sorriu e disse:
   - Sei que vamos nos ver de novo, Eleanor. Tenho certeza.
   Ela sorriu:
   - Espero que sim.
   Leonard fechou os olhos e se inclinou para um último beijo, mas este não veio. Ouviu um barulho de um alçapão se abrindo. Ele abriu os olhos e viu que ela já havia ido embora. Suspirou e se foi também. Ainda tinha a eternidade pela frente.

   Chegamos ao fim desta história. Calma, ainda vou postar mais, mas Tinta Vermelha acaba aí. O que acharam?

Beijos
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010 2 comentários

Tinta Vermelha - Cap. 12

Capítulo 12

   - Prima? - perguntou Leonard - Talvez isso explique a semelhança.
   - Sim - disse Eleanor - Essa é minha prima de 16 anos. Pelo menos ela tinha 16 anos quando foi transformada. Estávamos passeando juntas pela rua à noite, quando fomos atacadas por um vampiro. Ele transformou nós duas. Nos apaixonamos completamente por ele depois que nos transformamos. Tivemos brigas horríveis por ele. E depois descobrimos que ele estava nos usando para conseguir dinheiro. Depois que ele arranjou o dinheiro que precisava para sair do país, ele nos abandonou. Mesmo assim, a relação entre nós duas não melhorou muito. Sempre fomos competitivas, desde humanas. Mas, claro, não o bastante para querer matar uma a outra. Éramos amigas e rivais ao mesmo tempo. Mas, depois que nos transformamos, não restou amizade nenhuma.
   - E agora somos somente inimigas - completou Theodora - Nem a considero como prima mais. Mas agora, vamos parar de bater papo e fazer algo útil. Mate-a, Leonard.
   Leonard se virou para Eleanor:
   - Eleanor, você matou minha mãe e eu vou me vingar. Quero você morta!
   Eleanor suspirou:
   - Leonard, eu não matei sua mãe.
   - MENTIROSA!
   Leonard avançou em Eleanor e rasgou sua bochecha com as unhas. Eleanor pôs a mão no ferimento, e ele logo se curou.
   - Isso doeu, sabia? - disse ela.
   - Era para doer - disse Leonard, rosnando - Eu poderia ter feito pior.
   Ele deu uma risada gélida.
   - Você definitivamente mudou, Leonard - murmurou Eleanor - Mal te reconheço. E tudo por culpa de uma pessoa.
   Eleanor se virou para Theodora e rosnou.
   - Quer brigar? - disse Theodora, em posição de ataque.
   Eleanor avançou em Theodora e tentou arrancar seu braço. Mas escorregou o braço e arrancou a manga do vestido dela. Theodora escancarou a boca e gaguejou. Depois explodiu:
   - SUA LOUCA! EU COMPREI ESSE VESTIDO AINDA ESTA NOITE!
   - Com que dinheiro? - perguntou Eleanor.
   - COM O QUE EU ROUBEI DO LE... - Theodora se calou - Não é da sua conta onde arranjo dinheiro.
   - Ah, vamos - provocou Eleanor - Conte pra gente de quem você roubou dinheiro. Tenho certeza que o Leo adoraria saber.
   - NÃO É DA SUA CONTA!
   Theodora arfou e se virou de costas.
   - Está escravizando o Leo, não é? - perguntou Eleanor - Está usando-o como aquele que nos transformou fez conosco. É bem a sua cara. Fiquei sabendo que fez muito disso desde a última vez que nos vimos. Os usa até enjoar deles, depois toma o sangue deles, certo?
   - Não devo dar satisfações da minha vida para VOCÊ! - disse Theodora, raivosa. Se virou para o Leonard - Venha, meu amor. Você se vinga outro dia.
   - Não - disse Leonard - Quero descobrir mais sobre você.
   Theodora apertou os olhos e disse para Eleanor:
   - Sabe, você devia agradecer a mim por ter se casado com o Leonard.
   - Por que eu deveria? - perguntou Eleanor.
   - POR QUE, SE EU NÃO TIVESSE MATADO A IDIOTA DA MÃE DO LEONARD, ELE NÃO IA QUERER ADIANTAR O CASAMENTO E...
   Ela se calou e mordeu os lábios. Eleanor sorriu para ela, satisfeita.
   - Você o quê? - perguntou Leonard, incrédulo - Foi VOCÊ quem matou minha mãe?
   Theodora olhava para o chão, muda. Mas então ergueu o queixo e enfrentou Leonard:
   - Sim, fui eu. Eu matei sua mãe sim. Além disso, eu estava te escravizando. Eu fiz você se apaixonar por mim para fazer tudo o que eu pedisse. E eu nunca te amei, Leonard. Nem um pouquinho que fosse.
   Leonard avançou em Theodora, apertando o pescoço dela com as mãos.
   - O que vai fazer, Leo? - perguntou ela - Me matar? Sabe que não pode me matar me enforcando, não é? Você não pode fazer nada contra mim. É um vampiro, mas ainda é novo e fraco. Vai mesmo me enfrentar?
   Leonard apertou os lábios. Então percebeu uma coisa. Pela janela, entrava um fio de luz do sol. Ele sorriu e disse:
   - Quer saber? Pode ir, Theodora. Vá embora.
   Ele largou o pescoço de Theodora, que se levantou e riu histericamente.
   - Te vejo mais tarde, meu amor - ela disse.
   Theodora correu até a porta e a escancarou com um sorriso de vitória. Mas seu sorriso se apagou ao ser inundada pelo sol.
 
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