quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Tinta Vermelha - Cap. 7

Capítulo 7

   Dez dias depois, Leonard esperava por Eleanor na frente de um pequeno altar montado no jardim de sua casa. Era uma bela noite estrelada. Uma brisa leve sacudia as folhas das árvores. Naquele jardim haviam apenas Leonard e o padre. Não haviam convidados, pois Eleanor dizia não ter parentes próximos, e não houve tempo para preparar nada. Leonard usava um terno de segunda mão, que fora de seu pai. Não teria nada especial no casamento. Mesmo assim, Leonard não se cabia de felicidade, principalmente quando Eleanor saiu de dentro de casa.
   Ela usava um vestido branco, com uma enorme saia rodada e uma faixa vermelha cobrindo a cintura. Não usava véu, apenas um arranjo de rosas vermelhas. Usava também um chamativo batom vermelho. Andou na direção de Leonard, com um sorriso decidido no rosto.
   O casamento correu normalmente. Leonard beijou a noiva, e ela pediu ao padre que os deixasse a sós no jardim.
   - Bem... - disse Leonard - Não é melhor entrarmos em casa antes?
   - Não, Leonard - discordou Eleanor - Tenho algo a contar para você. Sobre o jeito estranho como tenho agido desde sempre.
   - Ah, claro. Sobre sua alergia ao sol e tudo aquilo?
   - Sim - disse ela - Você nunca me viu jantar. Se visse, ficaria horrorizado. Nunca me viu durante o dia. Se me visse, seria a última vez que me veria. Também nunca me viu dormir de verdade. Pois durmo em horário diferente do seu. E como explicar meus caninos afiados?
   Leonard ficou calado, apenas a fitando.
   - Pois bem - continuou ela - Tudo tem uma resposta simples e óbvia. Estou nessa cidade a décadas e não envelheço. E há décadas pessoas têm desaparecido toda noite por aqui...
   - O que está insinuando? - perguntou Leonard.
   - Pense bem, Leonard. Junte os pontos. Não pode ser tão idiota assim.
   Leonard pensou.
   - Leonard, sou um vampiro - contou Eleanor, antes que ele deduzisse sozinho.
   Leonard recuou.
   - Um vampiro... - sussurrou - E foi você quem matou minha mãe. FOI VOCÊ!
   - Leonard, eu...
   - FOI VOCÊ!
   Leonard tinha lágrimas nos olhos:
   - VOCÊ É UM MONSTRO! NUNCA MAIS CHEGUE PERTO DE MIM!
   Dizendo isso, Leonard correu para longe, penetrou na floresta, correndo o mais rápido que podia. Tropeçou e caiu, arfando. Exausto, se sentou perto de uma árvore. "Estou longe o suficiente dela", pensou.
   - Você não vai conseguir fugir, Leonard - disse uma voz em seu ouvido.
   Leonard se virou, e lá estava Eleanor sentada a seu lado. Ela sorriu para ele, mostrando suas presas. Aquele sorriso que antes era maravilhoso, para Leonard se tornou a coisa mais repugnante e assustadora que ele já vira. Ele recuou, caindo de costas para o chão. Ela rapidamente saltou sobre ele, prendendo-o em seus braços.
   - Estou muito brava com você, Leo - disse Eleanor - Precisa de uma lição.
   Dizendo isso, ela se abaixou vagarosamente para o pescoço de Leonard, sentindo o seu cheiro doce e curtindo aquele momento que esperava havia tanto tempo.
   - Eleanor... - ele disse.
   Ela sorriu e mordeu a pele macia do pescoço de Leonard. Sugou o sangue delicioso de Leonard, enquanto ele enfiava as unhas em suas costas, lutando desesperadamente para viver. Mas seu aperto foi enfraquecendo cada vez mais. Eleanor estava quase terminando de drenar o sangue de Leonard, mas parou.
   Por algum motivo, Eleanor se sentia mal. Olhou para o rosto de Leonard. Ele estava pálido, e seu rosto expressava pura agonia. Seus olhos estavam apertados. Ao perceber que ela havia parado, seu rosto começou a relaxar. Ele ainda estava vivo, mas por um fio. Não duraria muito tempo. Ela poderia acabar com seu sofrimento de uma vez, mas não se sentia bem para isso.
   Eleanor sentiu uma pontada de arrependimento no peito. Ele morreria logo. Eleanor se levantou e foi para casa, deixando-o ali, curtindo seus últimos segundos de vida.

5 comentários:

Sílvia disse...

Nossa, não esperava por desfecho. Pobre Leo. Nõa quero que o Leo acabe assim. Faça alguma coisa por ele, por favor. Ele tem que viver, a história ficará sem graça com a sua ausência.

Felipe Luigi disse...

A Eleonor eh tripinha, gostosona ou normal?Hahuhsaus
Eo Leo?
Kero mais história...

Letícia S. Costa disse...

Fiquei chocada... Que mulher sacana!

Luciana disse...

Essa mulher é uma safada! Sem coração!

pati disse...

Gente, choquei! Não imaginava isso, achei que seria uma história romântica!

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