segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Tinta Vermelha - Cap. 5

Capítulo 5

   Leonard chegou na aula de pintura dois dias depois, e ficou aliviado ao ver Eleanor saudável e linda como sempre costumava ser. No dia passado, ele havia tomado uma decisão importante. E ia decidir aquilo com Eleanor depois da aula.
   E assim ele fez. No final da aula, foi até Eleanor, com o coração saltando.
   - Eleanor... - chamou.
   - Sim - Ela se virou para ele, sorrindo.
   - Eu... eu... bem...
   - Diga, Leo.
   Ele esfregou as mãos suadas no paletó.
   - Queria pedir sua mão em casamento.
   Eleanor ficou completamente imóvel.
   - C-casar?
   - É. Quero ficar com você para sempre. Até ficarmos velhinhos e morrermos.
   - Não dá para eu ficar velhinha e morrer com você.
   - Isso é um não?
   - Não!
   - Não?
   - Não é um não.
   - Ah. Então é um sim?
   - Vou pensar.
   - Está bem. Amanhã você fala.
   - Não, eu vou pensar agora mesmo.
   Eleanor pôs o dedo no queixo, em pose pensativa. Deu um sorrisinho e disse:
   - Sim, eu me caso.
   Leonard quase desmaiou de emoção, mas se segurou, pois não é muito elegante.
   - E-então - gaguejou - Quando vamos nos casar?
   - Quando você quiser. Desde que seja de noite, antes da meia-noite.
   - Ótimo.
   - Mas por que está sendo tão direto? Ainda nem me apresentou ao seus pais.
   - É verdade... Me desculpe. Minha mãe volta de viagem amanhã. Pode nos visitar à noite.
   Eleanor sorriu.
   - Claro. Irei.
   - Ótimo.

   Assim, no dia seguinte, Eleanor encontrou Leonard na praça e a levou para sua casa.
   A mãe de Leonard, Louise, esperava sentada no sofá, e na mesinha de café haviam biscoitinhos e chá. Ela sorriu, acolhedora, para Eleanor, que sorriu(de boca fechada) de volta.
   - Boa noite - disse Eleanor.
   - Boa noite. Você é Eleanor? Leonard me falou sobre você hoje.
   - Sim, sou eu mesma.
   - Eu sou Louise, mãe do Leonard. Ele me disse que estão namorando.
   - Estávamos.
   - Terminaram?
   - Não. Agora estamos noivos.
   Louise arregalou os olhos.
   - Noivos?
   - Sim.
   - Já estava na hora do meu Leozinho arranjar uma boa pretendente. Mas não estão muito novos? Ele só tem vinte anos...
   - E eu tenho 19 - mentiu Eleanor - Mas não importa. Podemos esperar um ano ou mais.
   Leonard se sobressaltou:
   - Não, não podemos esperar tanto assim!
   Eleanor o olhou, estranhando:
   - Mas por quê?
   - Bem...
   Leonard puxou Eleanor para perto e cochichou em seu ouvido:
   - Tenho medo de que você esteja grávida.
   Ela riu:
   - Não creio que isso seja possível.
   - Nunca se sabe! E se estiver? Não quero que fique mal falada.
   - Está bem. Vamos nos casar logo então.
   - Por que estão de segredinhos? - perguntou Louise.
   - Não é nada, mãe. Está decidido. Vamos nos casar ainda este ano!
   - Ah, meu filhinho... Vai me deixar tão cedo?
   - Vou te visitar todos os dias, mãe, não se preocupe.
   - Está bem então.
   Os três conversaram por mais um tempo, até umas oito horas.
   - Preciso ir - disse Eleanor - Vou comprar pasta de dentes e depois tenho um compromisso importante.
   - Esta bem - disse Leonard - Adeus.
   - Adeus - disse Eleanor, e saiu.
   - Filho - disse Louise - é melhor você ir dormir, senão chega atrasado ao trabalho mais uma vez, e não vou confirmar mais nenhuma mentira que você conta para o seu Joaquim.
   - Está bem. Boa noite, mãe.
   - Boa noite.
   Leonard foi para o quarto. Louise esperou um tempo, depois se levantou e saiu de casa. Queria comprar presentes de noivado surpresa para Leonard e Eleanor. Andou pelas ruas, procurando alguma loja de jóias ou de roupas aberta. Entrou em uma rua escura e vazia. Continuou, tranquilamente. Ouviu um silvo e um "Tump!" seco. Olhou eu volta. Não viu nada. Continuou. Ouviu passos. Se virou. Havia um vulto escuro que andava em direção a ela. Apertou o passo e continuou. Os passos ficaram mais próximos. Louise começou a correr. Mas de nada adiantou. Seu braço foi agarrado e torcido para trás. Ela ia gritar, mas uma mão delicada tampou sua boca. Sentiu um hálito frio no pescoço. Se remexeu bruscamente e conseguiu sair do aperto, mas foi jogada no chão, e o vulto, que tinha longos cabelos negros que pinicavam o rosto de Louise, pulou sobre ela e a imobilizou. Louise não podia reagir. A mulher que a segurava sorriu, e uma fileira de dentes brancos e pontudos refletiram à fraca luz da lua. Ela abriu a boca e rapidamente avançou para o pescoço de Louise.

4 comentários:

Felipe Luigi disse...

Essa eu não tinha lido Belaum, o sonho de todo mundo se concretizou para a Eleonor(matar a sogra.. zoa)

Bjs

Sílvia disse...

Acho que a assassina da sogra não é a Eleanor. Parece que ela está até gostando do Leonard, portanto não iria matar a coitada.

Luciana disse...

O mais legal é sair pra comprar pasta de dente! haha

pati disse...

É tbm acho que não é a Eleanor!!! Aqui, este Leonard é rapidinho, não?

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