sábado, 23 de janeiro de 2010

Tinta Vermelha - Cap. 2

Capítulo 2

Eleanor e Leonard andaram para a praça. Se sentaram em um banco, Eleanor de pernas cruzadas e confiante, e Leonard um pouco inseguro, mas decidido a conquistá-la.
Leonard e Eleanor olharam para cima, para o céu estrelado.
- São lindas - disse Eleanor.
- Sim, são - disse Leonard - Como você.
- Obrigada. Mas as estrelas são mesmo incríveis. Mesmo se observadas durante séculos por apenas uma pessoa, não perdem sua beleza.
- Você diz isso como se as observasse durante séculos! - Leonard riu.
- Anh... Foi só um modo de falar.
- Entendo.
Ficaram calados, sentindo a brisa fria da noite.
- Está frio - disse Leonard - E você está sem casaco. Quer que eu te empreste o meu?
- Não precisa - disse Eleanor - Sou resistente a frio.
- Então deixe eu te abraçar para você não sentir frio.
- Tudo bem, então.
Leonard passou um braço pelos ombros de Eleanor. Ela recostou a cabeça perto do pescoço dele, sentindo a pulsação da artéria carótida. Sorriu. Podia matá-lo ali mesmo. A praça estava deserta e ele se encontrava indefeso. Então um pensamento mais cruel surgiu em sua mente: O melhor era matá-lo quando ele estivesse realmente envolvido com ela, quando confiasse nela e a pequena atração que sentia tivesse virado amor.
Então ela beijou levemente o rosto de Leonard, que sorriu.
- Então - disse ele - Onde você mora?
- Em uma casa - respondeu Eleanor.
- Sim, mas onde? Mora sozinha?
- Completamente só. E você?
- Moro com minha mãe. E seus pais, como são?
- Eu sou órfã.
- Meus pêsames. E me desculpe se te chateei.
- Tudo bem. Tem tanto tempo que nem me importo mais.
O relógio da torre da igreja da praça começou a bater meia-noite.
- Melhor eu ir - disse Eleanor.
- Adeus, Eleanor - se despediu Leonard - Te vejo outro dia.
- Não. Te vejo outra noite seria o correto.
- Então está bem. Te vejo outra noite, Eleanor.
- Adeus, Leonard.
Leonard foi sozinho para casa, com um sentimento estranho sobre Eleanor. Ela com certeza não era normal. Mas, mesmo assim, ele sentia algo por ela.
Enquanto Leonard ia para casa se deitar, Eleanor havia acabado de começar seu dia, ou melhor, noite.
Eleanor andou pela cidade, mascarada pela escuridão. Procurando uma vítima. Finalmente encontrou, perdida em um beco, uma criança. O menino tremia de frio, e olhou Eleanor de olhos arregalados.
- Moça - disse o menininho - Eu estou com frio e com fome. Me ajuda a encontrar minha casa?
- Não será preciso - disse Eleanor, se aproximando da criança - Eu posso fazer você nunca mais sentir frio, e nem fome.
- Mesmo, moça?
- Sim.
- Como?
- Desse jeito...
Eleanor saltou sobre o menino, torcendo seu pescoço e mordendo-o. O menino mal teve tempo de gritar ou tentar se defender antes de cair, seco e morto.
Eleanor se levantou, sentindo-se revigorada. Pegou o corpo e levou para a floresta, onde o queimou e enterrou as cinzas. Depois, foi para casa.
Sua casa era um pequeno casebre, velho e mal-cuidado. Ela abriu a porta com a chave enferrujada e entrou. A madeira rangia sob seus passos. Eleanor foi até o pequeno banheiro e se olhou no espelho. Haviam manchas de sangue em seu rosto. Ela abriu a torneira e lavou-se.
Durante o resto da noite, ela ficou passeando pelo bosque. Então, quando o céu começou a ficar roxo ao invés de azul, correu de volta para casa e entrou no alçapão que dava para seu quarto: Um porão, que tinha um caixão, um guarda-roupa e uma penteadeira. Ela abriu o caixão e se deitou nele. Depois, fechou-o e entrou em um sono sem sonhos, como tinha toda noite.

4 comentários:

Anônimo disse...

gostei mto das suas histórias ... vou acompanhar tdas

Sílvia disse...

Fiquei com dó do menininho. Tadinho, tão novinho...
Uma vida inteira pela frente e ... acabar como jantar de vampira.
Será que não dá para ressuscitá-lo em algum capítulo futuro?

Anônimo disse...

Ai! Tadinho do menino! Achei que ela daria vida eterna para ele :(

pati disse...

Ai! Tadinho do menino! Achei que ela daria vida eterna para ele :(

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