sábado, 23 de janeiro de 2010

Tinta Vermelha - Cap. 1

Bem-vindos, aqui vou postar as histórias que escrevo, porque vivo cheia de idéias de história na cabeça. Para começar este blog com o pé direito, vou postar uma história maior, dividida em capítulos, sobre vampiros (sei que você vai me achar uma seguidora de modinhas. Mesmo não sendo essa minha intenção, pense o que quiser). Aí vai o primeiro capítulo:

Tinta Vermelha

Capítulo 1

Essa história começa em uma sala de aulas de pintura para jovens com cerca de 18 anos. A aula é noturna. O tema é livre. Todos podem pintar o que quiser.
O velho professor se aproxima de um aluno. Um rapaz comum, de vinte anos de idade. Cabelos castanhos e lisos, com um leve topete charmoso. Olhos azuis esverdeados, lábios finos. Estava compenetrado em sua tela em branco.
- Por que não pintou nada, Leonard? - perguntou o professor.
Leonard deu um sorrisinho travesso e disse, com profunda cara-de-pau:
- Não vê, professor? Isto é minha pintura: uma tela em branco! Representa a alma de um homem vazio, que não tem um sentido na vida a seguir.
O professor riu do aluno, e disse:
- Não vai me enganar com estas palavras, Leonard. Te conheço a quase três anos! Agora, trate de usar sua imaginação, e até o final da aula quero ver suas mãos sujas de tinta por um bom trabalho.
Leonard concordou com a cabeça, mas quando o professor se afastou, o rapaz remedou:
- Nhénhénhé sujas de tinta, nhénhénhé bom trabalho! - e revirou os olhos.
O professor então se dirigiu para uma aluna. Era uma moça. Mas não era comum. Era absurdamente linda, com os cabelos negros que formavam ondas perfeitas e desciam por seus ombros e suas costas. Seus olhos eram de um verde intenso e penetrante, e seus cílios escuros e espessos os emoldurava perfeitamente. Seus lábios eram grossos em formato de coração. Seu corpo era perfeito e escultural. Ela não usava maquiagem e vestia roupas simples, mas isso não diminuía sua beleza. E sua pele era incrivelmente branca, sem nem um mínimo defeito. A moça se chamava Eleanor.
Mas, como já foi dito, Eleanor não era comum. Eleanor era uma vampira. E nem mesmo era jovem: ela tinha mais de oitocentos anos.
Quando o professor se aproximou, ela sorriu com a boca fechada. O professor observou sua pintura: Uma carta manchada de tinta preta.
- Como sempre, incrível, Eleanor.
- Não posso desapontá-lo - disse Eleanor, com sua bela voz sedutora - Afinal, sou sua aluna preferida.
- Sim! Minha preferida! Sempre será!
- Obrigada, mestre. Me sinto lisonjeada.
O professor se afastou. Ele realmente admirava Eleanor, mas ao mesmo tempo tinha medo. Eleanor estudava em sua classe desde que ele era novo. Ele agora estava na faixa dos sessenta. E ela estava sempre igual, não envelhecia! Mas, mesmo desconfiado, não queria perder uma ótima aluna como ela.
Leonard observou Eleanor, admirado, como sempre, com sua beleza. Durante os quase três anos em que ele freqüentou aquelas aulas, ela sempre foi misteriosa e reservada, e não conversava muito com os outros. Ela nunca havia dito uma palavra com ele.
O professor sentou-se em sua cadeira e abriu o jornal.

Mais uma pessoa desaparece misteriosamente na cidade na madrugada de ontem
O mistério dos desaparecimentos que vem durando décadas em nossa humilde cidade parece jamais acabar. Pessoas, de todos os sexos e idade desaparecem, uma a cada dia. Nunca foi encontrado nenhum tipo de pista que possa dizer o que foi feito desses cidadãos. A polícia desconfia de animais ou seqüestradores estrangeiros, mas não há provas para nenhuma dessas hipóteses.

O professor suspirou e fechou o jornal. Todos os dias uma matéria como aquela. A única coisa que mudava era o nome das pessoas desaparecidas.
Eleanor deu os últimos retoques em sua pintura e a admirou. Depois, se virou e encarou os humanos na sala sentindo seus cheiros de dar água na boca, cada um com algo que os diferenciava. Então parou seus olhos em Leonard. Aquele garoto era bonito, uma beleza comum, mas, mesmo assim, atraente. E o perfume de seu sangue era delicioso. Ele a encarava também. Ela sorriu, de boca fechada como sempre, para ele não ver suas presas. Ele sorriu também, um sorriso que ele pensava ser sedutor. Eleanor deu uma risadinha, e ele piscou um olho. Ela se virou para sua pintura e esperou o final da aula.
Finalmente, o professor pediu que guardassem seus materiais e fossem para casa. Na frente da casa onde ficavam as aulas de artes, Leonard se aproximou de Eleanor.
- Boa noite - cumprimentou - Eleanor, não?
- Sim - respondeu Eleanor - E você é Leonard. Prazer em te conhecer.
- O prazer é meu, de falar com uma bela dama assim.
- Você também é bastante... - Eleanor respirou o cheiro delicioso do sangue de Leonard - Atraente...
- Obrigado - Leonard sorriu, convencido - Então... Está livre esta noite?
- Talvez. Mas terei que ir mais ou menos à meia-noite. Tenho algo... Importante a fazer.
- Tudo bem, "Cinderela". Podemos ir jantar.
- Jantar? Oh, não... Estou... Em uma dieta especial.
- Entendo... Então, podemos nos ver amanhã à tarde?
- Não, não... Minha pele é meio... Sensível ao sol. Tenho alergia.
- Alergia? Estranho. Mas, se é assim, podemos ir observar as estrelas na praça.
- Tudo bem, então. Iremos.

- - -

Pronto
Gostaram? Comentem! Se acharem um erro ortográfico, avisem que corrijo.
Beijos

3 comentários:

Sílvia disse...

Que história legal!
Vou ler todos os seus capítulos.

Pati Sofal disse...

Isa, como sempre, estou adorando sua história! Sou sua fã número 1!

Gostaria que você terminasse o Céu Nublado...

Beijos
Fã número 1

Sílvia disse...

Isso mesmo, Bela. Cadê o restante de Céu Nublado?
Ele é ótimo. Continue, please. Bjos

Postar um comentário

 
;