sábado, 30 de janeiro de 2010

Tinta Vermelha - Cap. 10

Capítulo 10

   Leonard acordou e foi para a sala de estar. Theodora o esperava, sentada no sofá.
   - Boa noite - disse ela - Vamos sair hoje.
   - Para onde? - perguntou Leonard.
   - Para sua casa. Talvez você queira pegar alguns objetos seus. Ou talvez dinheiro...
   - Sim, claro. Vamos lá. Mas... Como vamos entrar?
   - Achei a chave no paletó que você estava usando quando te encontrei na floresta. Mesmo se não tivesse achado, entraríamos pela janela.
   Assim, os dois foram juntos até a casa de Leonard. Ele passou os olhos pela casa, procurando algo para levar. Pegou um retrato onde ele tinha 5 anos e estava junto com seus pais. Depois foi para seu quarto. Juntou suas melhores roupas para levar e olhou para as paredes, que estavam recheadas de pinturas suas. Ele não queria levar nenhuma delas. Apenas aquela bela pintura de Eleanor, que ele havia terminado cinco dias antes do casamento. Ele a observou, maravilhado. mas então percebeu que estava faltando alguma coisa naquela pintura.
   Pegou um pote de tinta vermelha e um pincel. Molhou o pincel na tinta e, com ele, pintou um feixe de sangue escorrendo pelo queixo de Eleanor. Observou, orgulhoso. "Muito mais realista agora", pensou.
   Achou duas malas grandes e as encheu com tudo o que queria levar.
   - Vamos embora - disse ele a Theodora.
   - Está levando dinheiro? - perguntou ela.
   - Não. Para que eu precisaria?
   - Podemos precisar um dia. Leve.
   - Está bem.
   Ele foi até o quarto de sua mãe e pegou o dinheiro, que se escondia em um cofre atrás do armário. Enfiou-o em um saco de papel e voltou para a sala.
   - Pronto - disse.
   - Muito bem... - disse Theodora - Deixa que eu mesma o levo.
   Theodora pegou o saco de papel e foram embora.

   Leonard pendurou o quadro em seu quarto. Depois, foi até a sala pegar uma mesinha de canto, colocou em seu quarto e pôs a foto dele com seus pais em cima. Admirou sua nova decoração. Theodora entrou no quarto.
   - Quem é essa no quadro, Leonard? - perguntou ela.
   - Eleanor - disse ele.
   - Por acaso foi ela quem te deixou morrendo na floresta?
   - Sim.
   - Não devia deixar isso em branco, Leo.
   - Como assim?
   - Devia procurá-la. Devia se vingar.
   - Me vingar?
   - Sim. Mate-a.
   - Mas eu não morri.
   - Pior do que isso, você sofreu. Sentiu dor. Se ela tivesse te matado, não sentiria.
   - Tem razão, Theodora. Você sempre tem razão.
   Theodora sorriu.
   - Então, o que está esperando? Procure-a, Leonard.
   - Sim. Eu vou.

3 comentários:

Sílvia disse...

Gostei,Bela. Interessante o momento que ele pega a tinta e o pincel e completa o quadro do modo como deveria ser. De uma pessoa normal que antes ele havia feito a pintura, a tinta vermelha transforma-a no que ela é realmente. Muito bom.
Agora, o Leo será sempre assim? Submisso?
Estou aguardando ansiosa o próximo capítulo.
Beijos

Luciana disse...

Esse Léo é muito submisso, tadinho!

Pati disse...

Este Leonard não tem opinião própria? É um "Zédendágua". kkkkkkk

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