domingo, 31 de janeiro de 2010

Tinta Vermelha - Cap. 11

Capítulo 11

   Eleanor acabava de chegar em casa depois de seu jantar de sempre. Planejava arrumar um pouco a casa, pelo menos tirar as teias de aranha dos cantos das paredes. Mas, antes que chegasse ao depósito para pegar um espanador, ouviu um barulho e se virou. Um homem entrava em sua casa pela janela. Ela não o reconheceu só de olhar. Ele era alto e forte, branco, bonito, usava trajes antigos. Certamente um vampiro. Observou-o melhor. Tinha cabelos castanhos sedosos, que formavam um topete encantador. Sorriu para ela com seus lábios finos e macios, e mostrou um par de caninos pontiagudos. Ela então olhou para seus olhos. Eram penetrantes, de uma cor azul esverdeada. Eleanor reparou no formato do rosto do rapaz, o seu nariz fino, suas bochechas que ela havia acariciado tantas vezes, e finalmente o reconheceu. Leonard. Eleanor sentiu o próprio coração frio acelerar e se aquecer ao vê-lo duas vezes mais lindo que antes.
   - Leonard? - disse ela, sorrindo - Você está vivo? Que ótimo. Sabia que você ficou muito mais bonito como vampiro?
   Ele não respondeu. Apenas se aproximou dela. Pegou-a pelos braços e a empurrou para a parede, prendendo-a lá e se aproximando de seu rosto. A expressão de Leonard, então, se franziu em uma de puro ódio. Eleanor arregalou os olhos. Nunca o vira assim. Ele rosnou e falou, entredentes:
   - Você bebeu meu sangue. Agora eu vou beber o SEU.
   Dizendo isso, ele avançou no pescoço dela e a mordeu. Ela sentiu os dentes de Leonard penetrarem em sua pele, suaves e gentis como um beijo. Ela sorriu, o abraçou e o mordeu de volta.
   Ele sugava o sangue dela, e ela sugava de volta, em uma troca sem fim. Fecharam os olhos. Não tinham noção do tempo. Continuariam naquele círculo vicioso para toda a eternidade, se não fossem interrompidos por uma voz que Eleanor reconheceria em qualquer lugar.
   - E então, Leonard? Ainda não a matou? - perguntou a voz suave que Eleanor tanto odiava.
   Leonard soltou Eleanor, que olhou para a garota, que estava, como sempre, com sua expressão convencida. Não demorou muito para Eleanor reconhecê-la. Havia décadas que não via aquelas sobrancelhas curvadas para ela, mas mesmo assim ela se lembrava perfeitamente dela.
   - Você por aqui, Theodora? - disse, como se encontrasse uma velha amiga.
   Leonard a olhou, confuso:
   - Vocês se conhecem?
   - Claro - respondeu Eleanor - Por que eu não conheceria minha prima?

3 comentários:

Sílvia disse...

Bom, Bela. Acho que o Leonard serviu como isca para a Theodora reencontrar a prima. É isso mesmo?

Luciana disse...

O mais legal dessa história, Bela, é que a gente começa lendo achando que vai ser mais um romance de vampiros, mas a história é bem diferente, os vampiros não são bondosos, são maus mesmo, sua história é mais verídica! Muito bom!

Anônimo disse...

Só quero ler o próximo capítulo... não tô entendendo mais nada? Como esta história poderá acabar? Será um final feliz?

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